Velozes e Furiosos hoje?
Pedro Santos
| 05-03-2026

· Equipe de Entretenimento
Você já assistiu a uma perseguição de Velozes e Furiosos e se perguntou se alguém realmente sobreviveria àquilo? A franquia é famosa pelo caos automobilístico espetacular, mas nem todas as cenas são pura fantasia.
Na verdade, uma especialista em física elogiou uma cena como surpreendentemente precisa, enquanto classificou outra como praticamente impossível.
Velozes e Furiosos e a física
A série Velozes e Furiosos começou com corridas de rua relativamente realistas e, aos poucos, evoluiu para uma ação global, com carros voando entre arranha-céus, arrastando cofres e até deixando o planeta Terra. Essa evolução construiu uma reputação de ignorar as leis da natureza em favor do entretenimento.
Por causa disso, muitos espectadores passaram a assumir que todas as cenas são exageros dignos de desenho animado. No entanto, quando a física Diandra Leslie-Pelecky analisou várias sequências importantes, ela encontrou um equilíbrio curioso.
Algumas cenas são extremamente irreais, mas outras se alinham surpreendentemente bem com conceitos básicos da física ensinados no ensino médio.
Uma cena surpreendentemente real
O veredito mais inesperado veio de Velozes e Furiosos 7. Em meio a momentos absurdos, como carros sendo lançados de paraquedas e saltos entre prédios, uma sequência envolvendo Brian O’Conner em um ônibus prestes a cair recebeu notas quase perfeitas em realismo por parte da física.
Na cena, os personagens participam de uma perseguição em uma região montanhosa. Um ônibus tático fica perigosamente inclinado à beira de um penhasco, perde o equilíbrio e começa a despencar.
Brian acaba do lado de fora do veículo enquanto ele desliza em direção ao abismo, sendo forçado a correr desesperadamente ao longo do ônibus.
O ônibus em queda
Enquanto o veículo inclina e começa a cair, Brian corre “para cima” do ônibus, tentando alcançar a extremidade que ainda permanece, por instantes, acima da borda. No último segundo, ele salta e consegue se agarrar à traseira do carro de Letty, que desliza lateralmente perto do penhasco, escapando por pouco de uma queda fatal.
Na tela, a cena parece pura fantasia, mas a ideia por trás dela é sólida. O ônibus está descendo e girando, Brian corre no sentido oposto em relação ao veículo, e ambos compartilham o mesmo movimento geral em relação ao solo até o momento do salto.
É, essencialmente, uma versão extrema de correr por uma escada rolante em movimento.
Por que funciona
Leslie-Pelecky destacou que a sequência ilustra de forma inteligente as leis de Newton. Quando o carro de Letty freia bruscamente após Brian se agarrar à traseira, o corpo dele continua em movimento, girando por causa do momento. Isso é exatamente o que a física prevê quando um objeto em movimento é subitamente ancorado.
A cena ainda exige sincronia perfeita, muita força e grande preparo físico, mas nada nela viola diretamente as leis da mecânica. Por isso, a física classificou a corrida no ônibus e o salto final como totalmente plausíveis dentro da física do mundo real, uma raridade para a franquia, recebendo nota máxima de 10 em 10.
Pista de decolagem fora de controle
Se Velozes e Furiosos 7 garantiu um ponto positivo em realismo, Velozes e Furiosos 6 fez exatamente o oposto. A sequência final na pista de decolagem, em que o grupo enfrenta um enorme avião cargueiro durante a tentativa de decolagem, é uma das favoritas dos fãs e também um alvo frequente de piadas.
Nessa cena, vários carros correm ao lado do avião enquanto ele acelera, enfrenta os vilões e tenta sair do chão. A sequência se estende por um longo tempo, alternando lutas e momentos dramáticos, enquanto todos parecem permanecer na mesma pista interminável.
Por que não funciona
Leslie-Pelecky analisou as velocidades envolvidas, o tempo em que a ação acontece na tela e o comprimento típico das pistas de decolagem. Mesmo que carros e avião estivessem se movendo a velocidades realistas de decolagem, a distância implícita percorrida seria enorme, muito maior do que qualquer pista real em operação.
Para efeito de comparação, algumas das maiores pistas do mundo têm menos de seis quilômetros de extensão. A sequência do filme exigiria muitas vezes esse comprimento para comportar a perseguição contínua em alta velocidade. Somando isso à ideia de Dom sair dirigindo um carro de dentro de um avião cargueiro em queda no momento exato, a física perde totalmente a credibilidade.
Por esses motivos, a física atribuiu à cena da pista uma pontuação extremamente baixa em realismo, afirmando que ela leva a suspensão da descrença ao limite. Funciona como espetáculo, mas não como algo que um piloto ou engenheiro reconheceria como possível.
Diversão versus fatos
É importante destacar que Leslie-Pelecky não defende que os filmes se comportem como documentários. Ela reconhece abertamente que grandes produções de ação seguem sua própria “física cinematográfica”, moldando a realidade para manter o público envolvido.
O mais interessante é como a franquia mistura essas duas abordagens. Algumas cenas são cuidadosamente construídas com base em princípios físicos reais, o que lhes dá uma sensação visceral e convincente. Outras priorizam o entretenimento, abrindo mão do realismo em troca de impacto visual e momentos dramáticos.
Para o público, entender essa diferença pode tornar a experiência ainda mais divertida. Reconhecer a rara cena que funcionaria na vida real a torna ainda mais impressionante, enquanto compreender as impossibilidades das cenas mais exageradas evidencia o quanto os cineastas estão dispostos a ir além da realidade.
No fim das contas, Velozes e Furiosos nunca teve a intenção de ser uma aula de física, mas às vezes chega mais perto disso do que muitos fãs imaginam. Dito isso, qual cena da franquia você acha surpreendentemente plausível, e qual momento exagerado você continua amando mesmo sabendo que jamais aconteceria fora da tela?