Comida Vs emoções
Fernanda Rocha
Fernanda Rocha
| 27-01-2026
Equipe de Alimentação · Equipe de Alimentação
Comida Vs emoções
Você já se pegou atacando a geladeira depois de um dia difícil? Você não está sozinho. A alimentação emocional é uma resposta comum ao estresse, à ansiedade ou até ao tédio.
Mas por que recorremos à comida em busca de conforto, e como isso se relaciona com a nossa saúde mental?
Entender essa ligação é essencial para quebrar o ciclo e desenvolver hábitos mais saudáveis.

1. O que é alimentação emocional?

Em sua essência, a alimentação emocional acontece quando comemos em resposta a sentimentos, e não à fome física.
Estresse, solidão, tristeza ou até felicidade podem desencadear a vontade de comer como forma de lidar com as emoções. Não se trata de saciar a fome, mas de tentar aliviar um desconforto emocional.
Muitas pessoas passam por isso — pegar um lanche após um dia estressante de trabalho ou consumir comidas reconfortantes durante um período difícil.
Buscar conforto é algo natural, mas quando a alimentação emocional se torna um mecanismo frequente, ela pode levar ao ganho de peso, à culpa e a ainda mais sofrimento emocional;

2. o cérebro e a alimentação emocional

A conexão entre emoções e comida vai além do hábito. Quando você está estressado ou se sentindo mal, o cérebro libera substâncias como o cortisol, que aumenta o desejo por alimentos calóricos e açucarados. Isso não é apenas psicológico; existe também um fator biológico.
A doutora Nicole Avena, neurocientista e especialista na biologia dos desejos alimentares, explica que, quando as pessoas estão estressadas, hormônios como o cortisol aumentam a vontade por alimentos ricos em açúcar e calorias.
Esses alimentos ativam a dopamina no cérebro e criam uma sensação temporária de alívio emocional, reforçando um ciclo de alimentação emocional seguido de culpa ou arrependimento;

3. gatilhos comuns da alimentação emocional

Entender seus gatilhos é o primeiro passo para lidar com a alimentação emocional.
Alguns dos gatilhos mais comuns incluem:
1. estresse – prazos, pressão familiar e preocupações financeiras podem levar à busca por comidas reconfortantes;
2. solidão – a falta de conexão social pode fazer a comida parecer uma forma fácil de preencher um vazio emocional;
3. tédio – quando não há fome física, mas a sensação de precisar fazer algo, comer acaba ocupando esse espaço;
4. tristeza ou depressão – estados emocionais negativos podem levar ao uso da comida como forma de conforto ou distração;
5. celebração – até emoções positivas, como comemorar uma conquista ou ocasião especial, podem desencadear a alimentação emocional.
Comida Vs emoções

4. quebrando o ciclo

Então, como quebrar o ciclo da alimentação emocional? Não se trata de se privar de comida quando estiver triste ou estressado, mas de compreender suas emoções e encontrar formas mais saudáveis de lidar com elas.
Algumas estratégias incluem:
1. identificar seus gatilhos – anote quando e por que você come. É fome real ou estresse e tédio?
2. encontrar alternativas – em vez de recorrer à comida, tente caminhar, escrever, meditar ou conversar com alguém. Essas ações ajudam a aliviar emoções sem depender da comida;
3. praticar a alimentação consciente – coma devagar e aproveite cada refeição. Prestar atenção ao ato de comer ajuda a reconhecer os sinais do corpo;
4. desenvolver resiliência emocional – terapia, técnicas de relaxamento e exercícios físicos podem ajudar a lidar melhor com o estresse;
5. buscar ajuda profissional – se a alimentação emocional estiver afetando seriamente sua saúde mental ou rotina, considere procurar um terapeuta ou nutricionista.

5. O caminho para uma relação mais saudável com a comida

Superar a alimentação emocional é um processo, e não acontece da noite para o dia. Mas, ao entender a ligação entre emoções e comida, você pode fazer escolhas melhores e construir uma relação mais saudável com ambas. Não se trata de perfeição, mas de progresso e de ter gentileza consigo mesmo.
Da próxima vez que sentir vontade de comer por emoção, pause e pergunte a si mesmo: “estou realmente com fome ou existe outra coisa acontecendo?” Esse simples passo pode ajudar você a ter mais controle sobre seus hábitos alimentares e, consequentemente, sobre sua saúde mental.