Até onde dá pra ir ao sol?
Gustavo Rodrigues
| 18-02-2026

· Equipe de Astronomia
Oi, Lykkers! Já ficou olhando para o céu e imaginando como seria visitar uma estrela?
Elas brilham lá em cima como diamantes, aparecem em músicas, sonhos e filmes de ficção científica — mas e se a gente realmente tentasse chegar perto de uma?
Então, até que ponto conseguimos nos aproximar de uma estrela — e o que acontece quando tentamos?
Primeiro de tudo: o que é uma estrela?
Vamos esclarecer uma coisa. Uma estrela (como o nosso Sol) não é uma bola sólida de fogo — é uma gigantesca esfera de plasma superaquecido, com temperaturas de milhões de graus, alimentada por fusão nuclear. Esse processo transforma hidrogênio em hélio e libera uma quantidade imensa de energia.
O Sol, nossa estrela mais próxima, está a cerca de 150 milhões de quilômetros da Terra — e mesmo assim ainda é forte o bastante para causar queimaduras na pele. Agora imagine chegar mais perto...
O que acontece quando nos aproximamos?
À medida que você se aproxima de uma estrela, os níveis de radiação, temperatura e gravidade se tornam simplesmente extremos.
Vamos usar o Sol como exemplo:
- a 2 milhões de quilômetros, você já estaria dentro da atmosfera externa do Sol (a coroa), onde as temperaturas podem atingir entre 1 e 3 milhões de °C. Curiosamente, a coroa é mais quente que a superfície;
- por volta de 700 mil quilômetros, você estaria na cromosfera, uma camada avermelhada que brilha durante eclipses solares;
- a menos de 400 mil quilômetros, você se aproximaria da fotosfera — a “superfície” visível do Sol (não é sólida, apenas a região de onde a luz escapa). A temperatura ali gira em torno de 5.500 °C, o suficiente para vaporizar praticamente qualquer coisa.
Nesse ponto, até os materiais mais resistentes que conhecemos derreteriam, evaporariam ou seriam destruídos pela intensa radiação solar.
Conseguimos realmente chegar tão perto?
É aqui que entra a sonda Parker Solar Probe da NASA. Lançada em 2018, ela é o objeto criado pelo ser humano que mais se aproximou do Sol. Até agora, já chegou a cerca de 7 milhões de quilômetros da superfície — mais perto do que Mercúrio!
E até 2025, espera-se que mergulhe a uma distância de cerca de 6 milhões de quilômetros.
Como isso é possível?
- Um escudo térmico feito de composto reforçado de carbono, capaz de suportar temperaturas superiores a 1.370 °C;
- uma órbita engenhosa que utiliza a gravidade de Vênus para ganhar velocidade e ajustar o ângulo de aproximação;
- ajustes em tempo real para manter a sonda perfeitamente posicionada, garantindo que o escudo proteja seus instrumentos.
Mesmo com toda essa tecnologia avançada, ainda estamos a milhões de quilômetros de distância. Qualquer aproximação maior colocaria em risco até os materiais mais resistentes já desenvolvidos.
E quanto às outras estrelas?
O Sol é relativamente comum. Existem estrelas muito maiores, mais quentes e mais violentas, algumas com temperaturas que ultrapassam 50.000 °C.
Chegar perto delas seria como tentar se proteger de uma explosão nuclear usando um guarda-chuva. Definitivamente não é algo que vá acontecer tão cedo.
Considerações finais
Então, Lykkers, quão perto podemos chegar de uma estrela?
Resposta curta: só até onde nossa tecnologia permitir — e, mesmo assim, ainda é longe. O Sol pode parecer inofensivo visto do seu quintal, mas de perto ele é um dos ambientes mais extremos do universo.
Ainda assim, missões como a Parker Solar Probe estão nos ensinando coisas incríveis sobre ventos solares, clima espacial e o funcionamento das estrelas. E quem sabe? Talvez no futuro desenvolvamos materiais resistentes o suficiente para chegar ainda mais perto.
Até lá, a melhor forma de aproveitar uma estrela é com protetor solar e um bom telescópio.