Supersônico está voltando
Ana Pereira
Ana Pereira
| 16-02-2026
Equipe de Astronomia · Equipe de Astronomia
Supersônico está voltando
Voar mais rápido que o som tem sido um sonho desde que os humanos olharam para o céu. O voo supersônico — viajar mais rápido que a velocidade do som (Mach 1) — já foi considerado o ápice da aviação.
O icônico Concorde, que transportava passageiros pelo Atlântico em menos de quatro horas, tornou esse sonho realidade. No entanto, após sua aposentadoria em 2003, parecia que o sonho havia sido colocado em terra.
Mas agora, o voo supersônico está prestes a renascer. Vamos explorar o retorno da tecnologia supersônica e os desafios que ela enfrenta na era moderna.

O retorno do voo supersônico

Depois de anos de silêncio, empresas aeroespaciais estão avançando no desenvolvimento de aeronaves supersônicas. Companhias como Boom Supersonic e Aerion trabalham para criar aviões comerciais supersônicos viáveis.
O objetivo? Reduzir o tempo de viagem em longas distâncias e tornar o transporte aéreo mais eficiente.
Por exemplo, a aeronave Overture, da Boom Supersonic, foi projetada para atingir velocidades de Mach 2,2 — mais do que o dobro da velocidade do som — podendo cortar quase pela metade o tempo de voo entre Nova York e Londres.
O AS2, da Aerion, outro projeto promissor, promete atingir Mach 1,4, velocidade suficiente para reduzir drasticamente o tempo de viagem para passageiros a negócios.

Os desafios à frente

Embora a perspectiva do voo supersônico seja empolgante, ela não está livre de obstáculos. Existem alguns desafios importantes que precisam ser resolvidos antes que o voo supersônico se torne realidade para o público em geral.

1. Impacto ambiental

Uma das maiores preocupações é o impacto ambiental dos jatos supersônicos. Essas aeronaves consomem mais combustível que os aviões subsônicos tradicionais, levantando questões sobre sua pegada de carbono.
Com o mundo cada vez mais focado em sustentabilidade, muitos se perguntam se o alto consumo de energia do voo supersônico será aceitável diante das mudanças climáticas.
Soluções inovadoras estão sendo exploradas, incluindo o uso de combustíveis de aviação sustentáveis (SAFs) e designs que reduzem emissões. No entanto, essas soluções ainda precisam ser comprovadas em larga escala, e pode levar anos até que os aviões supersônicos sejam realmente ecologicamente corretos.

2. Estrondo sônico e poluição sonora

O estrondo sônico — um ruído estrondoso causado pelas ondas de choque quando uma aeronave supera a velocidade do som — sempre foi uma barreira para o voo supersônico. O Concorde, por exemplo, foi proibido de voar sobre terra em muitos países devido ao ruído intenso.
Para resolver isso, engenheiros estão desenvolvendo jatos supersônicos mais silenciosos. A Overture, da Boom Supersonic, possui aerodinâmica que reduz a intensidade do estrondo sônico, transformando-o em um “tumb” muito mais suave. Ainda assim, essa tecnologia precisa ser totalmente testada e aprovada pelas autoridades de aviação.

3. Custo das viagens

Voos supersônicos são, por natureza, mais caros de operar que aviões tradicionais. Os altos custos de desenvolvimento, manutenção e combustível resultam em passagens inacessíveis para a maioria dos viajantes.
Os primeiros voos supersônicos provavelmente atenderão apenas a executivos e clientes dispostos a pagar pelo serviço premium. É improvável que vejamos opções econômicas por algum tempo.
Por exemplo, uma passagem no Concorde podia custar mais de US$ 10.000 na década de 1990.
O objetivo das novas aeronaves supersônicas é tornar os bilhetes mais acessíveis, com algumas empresas, como a Boom, mirando valores próximos a US$ 2.000 em um voo transatlântico — ainda assim, um desafio significativo no setor aéreo competitivo.

4. Barreiras regulatórias

O voo supersônico também enfrenta desafios regulatórios. Governos e autoridades de aviação, como a Administração Federal de Aviação (FAA) e a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA), precisarão estabelecer novos padrões para aeronaves supersônicas.
Essas regras abrangerão desde segurança e gestão do espaço aéreo até restrições de ruído e impactos ambientais.
Atualmente, a FAA ainda proíbe voos supersônicos sobre terra nos Estados Unidos devido ao barulho. As empresas que trabalham nesses novos aviões terão que colaborar estreitamente com os reguladores para garantir que cumpram essas normas, mantendo a performance e a velocidade prometidas.
Supersônico está voltando

Tornando o supersônico uma realidade

Apesar dos desafios, o potencial do voo supersônico continua forte. A tecnologia evoluiu muito desde a era do Concorde, e engenheiros encontram novas soluções para problemas antigos. Avanços em materiais compostos podem tornar os jatos mais leves e eficientes.
Além disso, inovações em sistemas de propulsão, como motores mais silenciosos e propulsão híbrido-elétrica, podem reduzir drasticamente o consumo de combustível.
À medida que essas inovações se desenvolvem, o voo supersônico pode se tornar uma opção viável para o futuro da aviação. O sonho de cruzar oceanos em poucas horas pode em breve deixar de ser apenas fantasia.

Olhando para o futuro

O retorno do voo supersônico é uma perspectiva empolgante, mas vem acompanhado de desafios próprios. Desde poluição sonora e preocupações ambientais até altos custos operacionais e barreiras regulatórias, o caminho para o supersônico não é simples.
No entanto, com inovação contínua e colaboração entre indústrias e governos, logo poderemos ver jatos supersônicos cortando os céus novamente.
Ao olhar para essa nova era da aviação, uma coisa é certa: o futuro do voo pode ser mais rápido e eficiente do que nunca, mas exigirá atenção cuidadosa à sustentabilidade, regulamentação e acessibilidade.