O que muda com a idade?
Gabriela Oliveira
Gabriela Oliveira
| 27-02-2026
Equipe de Ciências · Equipe de Ciências
O que muda com a idade?
A perda auditiva relacionada à idade, conhecida clinicamente como presbiacusia, é uma das deficiências sensoriais mais prevalentes entre idosos no mundo todo.
Caracteriza-se por uma diminuição gradual e progressiva da função auditiva, geralmente começando com a dificuldade de ouvir sons de alta frequência e podendo evoluir para problemas na compreensão da fala.
Essa condição multifatorial resulta de alterações fisiológicas no sistema auditivo decorrentes do envelhecimento, incluindo degeneração coclear e mudanças neurais, e seus impactos vão além da audição, alcançando aspectos sociais, cognitivos e emocionais.
Os aparelhos auditivos estão na linha de frente das estratégias clínicas voltadas para lidar com essas consequências.

Perda auditiva relacionada à idade

A presbiacusia costuma se desenvolver lentamente ao longo dos anos e afeta ambos os ouvidos de forma simétrica.
Embora a principal causa seja a degeneração das estruturas do ouvido interno, incluindo as células ciliadas e os neurônios cocleares — fatores adicionais como exposição prolongada ao ruído, saúde cardiovascular e condições metabólicas também contribuem para a gravidade da perda.
Como essas mudanças acontecem ao longo de décadas, muitas pessoas não percebem os primeiros sinais da perda auditiva ou acabam se adaptando à audição reduzida gradualmente, atribuindo as dificuldades de comunicação ao “barulho de fundo” em vez de a um declínio sensorial.
A perda auditiva não tratada pode levar a conversas desgastantes, afastamento social e frustração na comunicação do dia a dia.

Benefícios clínicos dos aparelhos auditivos

Os aparelhos auditivos são dispositivos médicos ajustados ao perfil auditivo específico de cada indivíduo. Diferentemente de simples amplificadores de som, os modelos modernos utilizam processamento digital de sinais para melhorar a clareza da fala, diferenciar fontes sonoras e reduzir o ruído de fundo.
Evidências de estudos clínicos destacam diversos benefícios consistentes do uso de aparelhos auditivos em adultos com perda auditiva relacionada à idade:
melhora na percepção da fala: pesquisas mostram que indivíduos adaptados com aparelhos auditivos apresentam maior capacidade de reconhecer e compreender a fala, especialmente em situações de escuta desafiadoras, em comparação com condições sem o uso do dispositivo. Essa melhora permanece como um dos principais e mais confiáveis resultados clínicos;
redução da limitação auditiva percebida: revisões sistemáticas indicam que usuários de aparelhos auditivos relatam menor sensação de limitação causada pela perda auditiva, ou seja, sentem-se menos prejudicados em atividades diárias como conversas com familiares ou participação em grupos;
melhora na capacidade de escuta: avaliações quantitativas revelam ganhos mensuráveis na habilidade auditiva, incluindo melhor desempenho em escalas reconhecidas de avaliação auditiva, quando os aparelhos são devidamente ajustados e calibrados;
efeitos psicossociais positivos: embora as evidências sejam mais variadas em relação a desfechos psicossociais amplos, muitos idosos relatam aumento da confiança e maior engajamento social quando os aparelhos auditivos possibilitam uma comunicação significativa.

Avanços tecnológicos e adaptação personalizada

Os aparelhos auditivos modernos incorporam tecnologias avançadas que ampliam sua utilidade além da simples amplificação:
microfones direcionais e redução de ruído: esses recursos melhoram a capacidade de focar na fala durante conversas, ao mesmo tempo que reduzem ruídos ambientais incômodos, tornando o diálogo mais claro em ambientes cheios ou barulhentos;
adaptação bilateral: o uso de dispositivos compatíveis em ambos os ouvidos pode melhorar significativamente a audição espacial — a capacidade do cérebro de identificar a origem dos sons — aumentando o conforto e a compreensão em ambientes auditivos dinâmicos;
processamento digital de sinais: os dispositivos atuais utilizam algoritmos sofisticados que ajustam a amplificação de acordo com o ambiente sonoro, elevando tanto a qualidade do som quanto a satisfação do usuário.
A adaptação personalizada é fundamental. A eficácia do aparelho auditivo depende em grande parte de quão bem seu perfil de amplificação corresponde aos limiares auditivos e às necessidades de estilo de vida de cada pessoa.
A avaliação profissional realizada por um fonoaudiólogo garante que o dispositivo seja configurado corretamente e que o usuário receba orientação adequada sobre uso e manutenção.
O que muda com a idade?

Abordando questões mais amplas de saúde

Embora os aparelhos auditivos não restaurem a audição normal, eles podem desempenhar um papel importante na manutenção do bem-estar geral. A perda auditiva não tratada tem sido associada a maior risco de isolamento social, depressão e sobrecarga cognitiva.
Embora a relação direta entre o uso de aparelhos auditivos e a prevenção do declínio cognitivo ainda esteja em investigação, especialistas observam que esses dispositivos podem reduzir o esforço mental necessário para compreender a fala, o que pode favorecer o processamento cognitivo na comunicação cotidiana.
Esse suporte pode ajudar idosos a permanecerem mentalmente ativos e socialmente engajados, dois componentes essenciais para um envelhecimento saudável.
A Dra. Alison Grimes, diretora da Clínica de Audiologia da UCLA e fonoaudióloga clínica, afirmou claramente: “os aparelhos auditivos sempre foram uma ferramenta importante na área da saúde… Os aparelhos atuais têm tecnologia capaz de ajudar o usuário a distinguir a fala inteligível dos ruídos que interferem.
Para alguém com dificuldade auditiva, encontrar o aparelho adequado pode melhorar significativamente sua qualidade de vida.”

Desafios práticos e soluções

Apesar dos benefícios evidentes, a adoção de aparelhos auditivos entre idosos ainda é menor do que o esperado. Entre as barreiras mais comuns estão o custo, o estigma associado ao uso de dispositivos visíveis e as dificuldades de adaptação ao uso do aparelho.
O aconselhamento audiológico é um componente essencial para o uso bem-sucedido, pois ajuda a estabelecer expectativas realistas e estratégias para integrar os aparelhos auditivos à rotina diária.
Os aparelhos auditivos desempenham um papel central no manejo da perda auditiva relacionada à idade ao melhorar a percepção da fala, reduzir o impacto funcional da deficiência auditiva e ampliar a participação nas atividades cotidianas.
À medida que a tecnologia evolui e a acessibilidade aumenta, esses dispositivos continuam sendo uma intervenção fundamental para preservar a comunicação e a qualidade de vida na população idosa.