Abelhas entendem zero!
João Cardoso
João Cardoso
| 02-03-2026
Equipe de Animais · Equipe de Animais
Abelhas entendem zero!
A primeira vez que tentei ensinar meu sobrinho sobre a ideia de “nada”, ele me olhou como se eu tivesse acabado de pedir para ele malabarizar abacaxis em chamas.
“Se não sobrou nenhum biscoito, quantos biscoitos existem?” perguntei.
“Ainda um”, ele insistiu. E, honestamente? Fazia sentido para ele. Para muitas crianças — e até alguns adultos — o conceito de zero é estranhamente abstrato. E é por isso que é tão incrível pensar que abelhas podem entendê-lo.
Sim, abelhas.
Pequenas, zumbindo, correndo atrás de néctar.
Mas o que isso significa, afinal? E por que deveríamos nos importar?
Vamos descobrir.

Como você ensina matemática a uma abelha?

Em um experimento famoso, pesquisadores treinaram abelhas a escolher imagens com menos pontos para receber uma recompensa açucarada. Com o tempo, as abelhas aprenderam a selecionar consistentemente a opção com menor número de itens.
Nada surpreendente até aqui — animais podem aprender padrões simples. Mas então veio a surpresa.
Os cientistas colocaram um cartão com ero pontos. E adivinhe? Muitas abelhas o escolheram — corretamente — em vez de um cartão com um ponto.
Isso não foi apenas sorte. As abelhas não estavam escolhendo aleatoriamente. Elas compreenderam que zero é menor que um. Isso as coloca em um clube muito seleto. Apenas algumas espécies não humanas — como certos primatas, papagaios e golfinhos — mostraram essa habilidade.E agora as abelhas estão nessa lista.

Por que o zero é tão importante?

À primeira vista, parece bobo — “Uau, abelhas entendem zero!” — mas é mais do que um fato curioso.
Zero é um conceito difícil. Não é apenas “nenhum” ou “vazio”. Ele representa ausência. Para compreendê-lo, o cérebro precisa ir além do que vê e manter uma ideia abstrata. É algo que a maioria das crianças humanas só domina por volta dos 4 ou 5 anos.
Então, para uma abelha, com um cérebro menor que uma semente de gergelim, conseguir fazer isso? É impressionante.
Isso sugere que abelhas não reagem apenas a estímulos. Elas não são apenas pequenos robôs voando de flor em flor. Elas podem processar informações de maneira surpreendentemente complexa — incluindo matemática básica.

Então, o que as abelhas realmente conseguem fazer?

Compreender o zero é apenas uma parte do quebra-cabeça. As abelhas também demonstraram várias habilidades cognitivas surpreendentes.
Aqui estão algumas descobertas dos pesquisadores:
1. contar até quatro: abelhas conseguem rastrear e lembrar até quatro marcos ao voar entre flores;
2. entender ordem: alguns experimentos mostram que abelhas aprendem a seguir sequências numéricas, como escolher “três” em vez de “dois” depois de aprender a sequência;
3. reconhecer símbolos: um estudo de 2020 mostrou que abelhas podem associar símbolos a quantidades — basicamente aprendendo que uma forma representa um número.
Todos esses pontos têm algo em comum: abelhas operam além do instinto. Elas podem não estar fazendo cálculo avançado, mas conseguem aprender, se adaptar e resolver problemas em tempo real.
Abelhas entendem zero!

Por que isso importa para você (mesmo que deteste insetos)

Vamos ser sinceros — você provavelmente não passa muito tempo pensando no cérebro de uma abelha. Mas aqui está o motivo para se importar.
Se uma criatura com 1 milhão de neurônios (os humanos têm cerca de 86 bilhões) consegue compreender conceitos abstratos, isso muda a forma como pensamos sobre inteligência. Isso sugere que pensar de forma complexa pode não exigir um cérebro enorme — apenas um cérebro eficiente.
Isso abre enormes possibilidades para o desenvolvimento de inteligência artificial, robôs e sistemas de aprendizado. Estudar abelhas pode levar a avanços em drones minúsculos, computação energeticamente eficiente e até na forma como estruturamos o aprendizado para crianças e máquinas.
Além disso, mexe um pouco com nosso ego, não é? Tendemos a achar que somos especiais por fazer matemática, pensar logicamente ou resolver problemas. Mas, aparentemente, uma abelha pode estar zumbindo por aí fazendo coisas semelhantes — do seu próprio jeito.

Então, devemos ensinar álgebra às abelhas?

Não exatamente. Não há evidências de que abelhas resolvam equações ou escrevam provas em suas colmeias. Mas elas desafiam a ideia de que “cérebro pequeno = mente simples”.E isso é enorme.
Nos lembra que inteligência vem em várias formas — não apenas a humana. Quanto mais observamos a natureza, mais percebemos o que está acontecendo sob a superfície.
Então, da próxima vez que você espantar uma abelha em um piquenique, talvez valha a pena pausar por um segundo. Você não está apenas afastando um inseto. Pode estar entrando no espaço aéreo de um pequeno matemático.
Já se perguntou o que mais temos ignorado nas criaturas ao nosso redor? Talvez seja hora de começar a prestar atenção — mesmo que seja apenas ao zumbido.