IA e risco digital
Fernanda Rocha
Fernanda Rocha
| 21-04-2026
Equipe de Astronomia · Equipe de Astronomia
IA e risco digital
A inteligência artificial (IA) deve se consolidar como o principal fator de transformação da cibersegurança em 2026.
É o que indica o relatório Global Cybersecurity Outlook 2026, do Fórum Econômico Mundial, segundo o qual 94% dos entrevistados veem a IA como a tendência mais impactante para o setor nos próximos anos.
Ao mesmo tempo, 87% dos especialistas apontam que as vulnerabilidades associadas a essa mesma tecnologia já representam um dos principais riscos cibernéticos da atualidade.

IA acelera ameaças e defesas

Para o advogado especializado em cibersegurança, direito digital e governança José de Souza Júnior, integrante do Grupo RG Eventos, o cenário atual marca uma fase de “aceleração e complexidade sem precedentes” no ambiente digital.
Segundo ele, as ameaças não estão apenas aumentando em volume, mas também em sofisticação, com ataques cada vez mais diversos e difíceis de prever.
“Tecnologias transformadoras como a inteligência artificial ampliam tanto a capacidade de defesa quanto a de ataque”, afirma. “Isso exige que governos e organizações deixem de ser reativos e adotem estratégias mais proativas e colaborativas.”

Cibersegurança vira tema estratégico

Souza Júnior destaca que a cibersegurança deixou de ser apenas uma área técnica e passou a ocupar posição central na economia digital.
Hoje, o tema já é visto como questão econômica, geopolítica e social, ligado diretamente à soberania digital e à geração de valor.
Nesse contexto, tecnologias emergentes como computação quântica e sistemas autônomos começam a surgir como novos vetores de risco, exigindo governança mais ágil e integrada.

Novos tipos de ameaça ampliam riscos

Entre os principais fatores de preocupação, o especialista cita a expansão de vulnerabilidades ligadas à IA, o aumento de fraudes digitais sofisticadas e os riscos em cadeias de suprimentos tecnológicas.
Também entram nesse cenário ataques patrocinados por Estados e grupos organizados, em um ambiente geopolítico cada vez mais fragmentado.
Ele lembra que casos recentes mostram o impacto real dessas ameaças, como ataques que paralisaram operações industriais e invasões a sistemas críticos de infraestrutura.

IA agente muda o equilíbrio dos ataques

De acordo com o relatório do Fórum Econômico Mundial, o aumento da sofisticação dos ataques é hoje mais preocupante do que o simples crescimento do volume.
Para Souza Júnior, o ponto mais crítico é o avanço da chamada “IA agente”, capaz de executar ataques de forma autônoma e completa.
Esse tipo de tecnologia permite automatizar todo o ciclo de um ataque cibernético, ampliando o desequilíbrio entre ofensiva e defesa.
Sistemas legados, que não acompanharam o ritmo da inovação, tornam-se ainda mais vulneráveis nesse cenário.

IA como arma e defesa ao mesmo tempo

A inteligência artificial assume, portanto, um papel duplo: protege e ameaça ao mesmo tempo.
Por um lado, ela melhora a detecção de ataques, acelera respostas e fortalece sistemas de defesa. Por outro, também possibilita invasões mais rápidas, precisas e automatizadas.
Essa dualidade transforma a IA em um dos principais elementos de risco e proteção da cibersegurança moderna, exigindo equilíbrio entre automação e supervisão humana.
IA e risco digital

Governança e resiliência como prioridade

Diante desse novo cenário, especialistas defendem que a cibersegurança seja tratada como tema estratégico dentro das organizações.
Para Souza Júnior, a resiliência digital depende de toda a cadeia de suprimentos, já que o elo mais fraco pode comprometer o sistema como um todo.
Governança, nesse contexto, deixa de ser apenas conformidade e passa a ser gestão ativa de risco, com participação direta da alta liderança.
Ele defende o uso de frameworks de segurança mais robustos, avaliação contínua de riscos de IA e maior cooperação entre setores público e privado.

Segurança como centro da estratégia

Para 2026, a tendência é que a cibersegurança deixe de ser apenas uma barreira de proteção e passe a ocupar o centro da estratégia corporativa.
Empresas mais maduras já tratam o tema como essencial para a continuidade dos negócios e preservação de valor.
No campo operacional, a cadeia de suprimentos digital surge como o principal ponto de atenção, levando organizações a integrar critérios de segurança em compras e parcerias.
A conclusão dos especialistas é clara: em um ambiente digital cada vez mais complexo, o incidente não é mais uma possibilidade distante — mas uma certeza a ser gerenciada.