Molécula contra câncer
Laura Almeida
| 28-04-2026

· Equipe de Ciências
Uma pesquisa que une ciência e inteligência artificial
Um cientista brasileiro desenvolveu uma pesquisa inovadora.
Com apoio de uma plataforma experimental baseada em Inteligência Artificial (IA), voltada para a identificação de uma molécula com potencial de destruir células cancerígenas.
O trabalho foi conduzido por José Emilio Fehr Pereira Lopes, médico formado pela Faculdade de Medicina de Catanduva (Fameca), em São Paulo, em parceria com a Harvard Medical School.
Início dos estudos e colaboração internacional
As pesquisas começaram em 2009, quando José Emilio e uma equipe de cientistas passaram a estudar uma molécula descrita pelo imunologista Elieser Flescher, da Universidade de Tel Aviv, em Israel.
Segundo o pesquisador, o desafio inicial era de fácil compreensão do ponto de vista científico, mas complexo em sua aplicação prática, envolvendo diferentes áreas da biologia e da engenharia molecular.
Como a molécula age no organismo
O estudo se apoia em um conceito da biologia tumoral que mostra que células cancerígenas produzem energia de forma diferente das células saudáveis.
A partir dessa diferença, os cientistas combinaram engenharia molecular, bioenergia celular e modelagem computacional para desenvolver uma estratégia capaz de atingir seletivamente os tumores.
A ideia central era utilizar uma molécula associada a um tipo de açúcar modificado, permitindo que ela fosse transportada diretamente para dentro das células.
De acordo com o pesquisador, isso ocorre porque células tumorais consomem grandes quantidades de glicose para sobreviver, facilitando a entrada do composto.
A criação da molécula A14
Com base nessa estratégia, os cientistas desenvolveram a molécula sintética chamada A14, definida pelos pesquisadores como uma substância “biointeligente”.
O composto foi projetado para atuar diretamente nas células tumorais, interferindo em suas estruturas energéticas e nas mitocôndrias, responsáveis pela produção de energia celular.
Ação seletiva e potencial terapêutico
Segundo José Emilio, a molécula foi desenhada para reconhecer características específicas das células cancerígenas e desativar mecanismos que sustentam seu crescimento.
A proposta é permitir um ataque mais seletivo ao tumor, reduzindo danos às células saudáveis — um dos principais desafios das terapias oncológicas atuais.
Desenvolvimento ao longo dos anos
A pesquisa foi desenvolvida ao longo de vários anos e testada em diferentes sistemas de transporte e formulações químicas, com o objetivo de aprimorar sua eficácia e segurança. José Emilio se formou em medicina em 1989 e, desde 2011, vive no exterior.
Próximos passos e testes pré-clínicos
Atualmente, o pesquisador reside em Orlando, nos Estados Unidos, onde acompanha o desenvolvimento da molécula por meio da empresa Nanocare Technologies, uma startup registrada em Delaware.
A companhia é responsável por conduzir os testes pré-clínicos necessários antes da eventual submissão à agência reguladora norte-americana Food and Drug Administration (FDA).