IA Global
Gabriela Oliveira
Gabriela Oliveira
| 19-05-2026
Equipe de Astronomia · Equipe de Astronomia
Em meio à corrida global pela inteligência artificial, o Brazil at Silicon Valley deste ano reforçou uma mudança de postura entre empreendedores brasileiros.
Sair da posição de consumidores de tecnologia e avançar para o papel de criadores e protagonistas.
IA Global
O evento, realizado na Califórnia, reúne anualmente fundadores, investidores e executivos para aproximar o ecossistema brasileiro do Vale do Silício — em um momento em que o desenvolvimento de IA se concentra principalmente nos Estados Unidos e na China.

IA como base, não camada

Logo na abertura, nomes de destaque trouxeram uma visão clara sobre o novo cenário tecnológico. Pedro Franceschi, CEO da Brex, destacou que a inteligência artificial não deve ser tratada como um complemento, mas como a base para reconstruir produtos e empresas do zero.
Segundo ele, a transformação é estrutural: times, softwares e modelos de negócio estão sendo redesenhados com a IA no centro.

Brasileiros em escala global

A discussão também ganhou força com Luana Lopes Lara, cofundadora da Kalshi, plataforma de mercados preditivos nos Estados Unidos. Sua trajetória reforça uma tendência crescente: brasileiros que já nascem competindo diretamente no mercado global, sem depender exclusivamente do ecossistema local.
Outros fundadores seguiram a mesma linha. Fernando Gadotti, da Tako, afirmou que a complexidade do ambiente brasileiro pode funcionar como vantagem competitiva. “Quem consegue construir aqui, consegue construir em qualquer lugar”, resumiu.

IA muda a lógica da competição

Ao longo do evento, especialistas apontaram uma mudança importante na dinâmica do setor. Com a popularização dos modelos de IA, o diferencial deixa de estar apenas na tecnologia em si e passa a se concentrar em dados, execução e entendimento profundo dos problemas.
Para a executiva da Nvidia, Wei Xiao, o verdadeiro valor está na informação: “o modelo não é o diferencial; o diferencial é o dado”.
Nesse cenário, empresas que dominam dados próprios e conseguem aplicar soluções de forma eficiente ganham vantagem competitiva.

Oportunidade para o Brasil

Para investidores e fundadores, o Brasil tem uma oportunidade importante na camada de aplicações da inteligência artificial. A proximidade entre o desenvolvimento local e o ritmo do Vale do Silício reduz a defasagem histórica do país em inovação.
Mesmo assim, desafios persistem. Acesso limitado a infraestrutura computacional e menor disponibilidade de capital para projetos mais avançados ainda dificultam o crescimento de startups em escala global.

Empresas globais com identidade brasileira

A cofundadora da Endeavor, Linda Rottenberg, destacou a evolução do empreendedorismo na América Latina e afirmou que o próximo ciclo deve ser marcado por empresas globais com origem brasileira, capazes de unir ambição internacional e experiência em mercados complexos.
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Tecnologia e impacto humano

O debate também abordou os efeitos sociais da tecnologia. O economista Leonardo Bursztyn chamou atenção para o impacto da IA no comportamento humano e defendeu que o foco não deve ser proibir ferramentas, mas decidir como elas são projetadas e utilizadas.

Um novo momento para o ecossistema

Ao final das discussões, a mensagem central foi de convergência: o Brasil reúne talento, mercado e criatividade suficientes para competir globalmente, mas precisa avançar na construção de tecnologia própria e na ambição de escala internacional.
Em um cenário em que a inteligência artificial redefine as bases da economia digital, o desafio brasileiro deixa de ser apenas acompanhar tendências — e passa a ser participar ativamente da sua criação.