Anfíbio pré-histórico
Pedro Santos
| 19-05-2026

· Equipe de Animais
Nova espécie de anfíbio pré-histórico é descoberta no Brasil
Uma descoberta científica de grande relevância revelou uma nova espécie de anfíbio que viveu há cerca de 280 milhões de anos no território que hoje corresponde ao Brasil. O fóssil foi identificado a partir de mandíbulas encontradas nos estados do Piauí e Maranhão.
A espécie, batizada de Tanyka amnicola, foi descrita após mais de uma década de pesquisa envolvendo instituições do Brasil e do exterior.
Descoberta após anos de pesquisa
O estudo foi coordenado pelo professor Juan Carlos Cisneros, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), e contou com a colaboração de pesquisadores dos Estados Unidos, Argentina, Alemanha, África do Sul e Reino Unido.
A pesquisa analisou um conjunto de nove mandíbulas fossilizadas, encontradas entre 2012 e 2023 nos municípios de Nazária (PI), Timon (MA) e Pastos Bons (MA).
O trabalho foi publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society B.
Um anfíbio com dieta incomum
Segundo os pesquisadores, o Tanyka amnicola apresenta características bastante diferentes de outros anfíbios conhecidos.
Um dos principais destaques é que ele pode ter sido um dos primeiros anfíbios herbívoros já identificados, algo extremamente raro no registro fóssil.
“É a primeira vez que encontramos evidências de um anfíbio fóssil que poderia se alimentar de plantas”, explicou o coordenador do estudo.
Essa característica contrasta com a maioria dos anfíbios, tanto fósseis quanto atuais, que são predominantemente carnívoros.
Mandíbulas “bizarra” chamaram atenção
Os pesquisadores destacam que o animal possuía uma anatomia incomum, especialmente na estrutura da mandíbula e na disposição dos dentes, que apontam para um padrão alimentar diferente do habitual.
Essas características levaram a equipe a descrever a espécie como “bizarra”, devido às suas formas pouco comuns dentro do grupo dos anfíbios primitivos.
Pesquisa longa e desafiadora
O estudo levou mais de 10 anos para ser concluído. Um dos principais desafios foi o fato de o animal nunca ter sido encontrado completo, apenas por fragmentos.
Mesmo assim, todas as mandíbulas analisadas apresentaram características idênticas, confirmando que pertenciam à mesma espécie.
Para comparação, os cientistas precisaram analisar fósseis de museus na América do Norte e na Europa, já que não havia material semelhante disponível no Brasil.
Importância científica da descoberta
Classificado como um tetrápode basal, o anfíbio preserva traços considerados primitivos, o que ajuda a entender melhor a evolução dos vertebrados terrestres.
A descoberta amplia o conhecimento sobre a biodiversidade do passado e abre novas possibilidades para estudos sobre a evolução dos anfíbios no período pré-dinossauros.
Os pesquisadores acreditam que novos fósseis ainda podem ser encontrados na região, o que pode revelar mais informações sobre esse grupo até então pouco conhecido pela ciência.