Boom Pet
Rafael Oliveira
Rafael Oliveira
| 20-05-2026
Equipe de Animais · Equipe de Animais

Uma nova relação com os pets

O que antes era apenas companhia, hoje ganhou outro status dentro de casa. Cada vez mais, cães e gatos são tratados como parte da família — e essa mudança de comportamento tem transformado não só a rotina, mas também o jeito de consumir.
Se na clássica obra de George Orwell os animais se rebelam contra os humanos, no mundo atual o cenário é outro: os pets passaram a ocupar um lugar central na vida das pessoas, influenciando decisões, hábitos e gastos.
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Crescimento global acelerado

Mercado bilionário em expansão
O setor de cuidados com animais de estimação vive um momento de forte crescimento no mundo. Dados da Market Reports World apontam que essa expansão é impulsionada por fatores como o aumento da adoção, maior renda das famílias e a chamada humanização dos pets.
Segundo a Mordor Intelligence, o mercado global atingiu US$ 380 bilhões em 2025 e pode chegar a US$ 650 bilhões até 2030. Boa parte desse avanço vem de Millennials e da Geração Z, que tendem a investir mais em cada animal.

O cenário no Brasil

Uma das maiores populações pet do planeta
O Brasil ocupa a terceira posição no ranking mundial de população de animais de estimação. Enquanto o número de filhos por família diminui, a presença de pets cresce de forma consistente, segundo o IBGE.
Uma pesquisa da Quaest para a Petlove (2024) revela que 7 em cada 10 brasileiros têm pelo menos um animal em casa. Esse vínculo também pesa no bolso: entre 2002 e 2018, o número de famílias que declararam gastos com pets quase triplicou, saltando de 11,72% para 30,27%.
O setor acompanha esse movimento. Em 2024, o mercado pet brasileiro faturou R$ 75,4 bilhões — alta de 9,6% em relação ao ano anterior, de acordo com a Abinpet.

Cães lideram, mas gatos avançam

A força da “economia felina”
No mundo, os cães ainda dominam o mercado, representando 59% do total em 2024. As rações premium, por exemplo, já correspondem a 30% das vendas na categoria.
Mas os gatos vêm ganhando espaço rapidamente. A expectativa é de crescimento anual de 7,8% até 2030. Esse avanço está ligado ao aumento de pessoas morando sozinhas — perfil que costuma preferir felinos, fenômeno conhecido como “economia felina”.

Pets como membros da família

Consumo mais consciente e exigente Com os pets ocupando um papel cada vez mais afetivo, os tutores estão mais atentos à qualidade de produtos e serviços. Segundo a pesquisa Quaest, os principais gastos envolvem alimentação, consultas veterinárias, exames e medicamentos.
Essa mudança abre espaço para novas oportunidades no setor:
• enriquecimento ambiental: brinquedos inteligentes, tapetes olfativos e circuitos de atividades ganham destaque;
• saúde e bem-estar: cresce a demanda por higiene, estética, controle de ansiedade e cuidados gerais;
• longevidade: pets vivem mais — cães pequenos, que antes viviam cerca de 9 anos, hoje podem ultrapassar os 15. Isso impulsiona produtos como suplementos, rampas e itens de mobilidade;
• alimentação personalizada: dietas sob medida, naturais e orgânicas estão em alta;
• consciência ambiental: produtos sustentáveis, biodegradáveis e recicláveis ganham espaço.

Case internacional: Petco

Experiência completa para pets e tutores
A Petco se destaca ao oferecer um ecossistema integrado de produtos e serviços. A empresa opera cerca de 1.500 lojas nos Estados Unidos, México e Porto Rico e registrou receita de US$ 6,1 bilhões em 2024.
Seu modelo combina varejo, saúde, bem-estar e soluções digitais, com serviços como:
• banho e tosa profissional;
• espaços de autoatendimento para banho;
• atendimento veterinário completo;
• treinamento de cães;
• eventos de adoção;
• alimentação fresca e balanceada;
• programas de fidelidade.
Serviços como grooming, veterinária e treinamento já representam cerca de 17% da receita da companhia.

Case brasileiro: Grupo Petz Cobasi

Liderança no mercado nacional
No Brasil, o grupo Petz Cobasi se posiciona como a maior plataforma do setor, com mais de 500 lojas e receita bruta de R$ 7,7 bilhões.
A marca Petz se destaca pela forte atuação em saúde e bem-estar, com a maior rede de centros veterinários do país (Seres) e uma ampla rede de estética animal. Além disso, aposta em marcas próprias e produtos exclusivos para fortalecer a fidelização dos clientes.
A empresa também lidera iniciativas de impacto social, como o programa Adote Petz, considerado o maior do país para adoção de cães e gatos.

Quando outras marcas entram no jogo

Pets influenciam decisões de consumo
O impacto dos pets já ultrapassa o setor especializado. Marcas de moda e beleza passaram a incluir produtos voltados aos animais em seus portfólios, como O Boticário, Dolce & Gabbana e Reserva.
Na mobilidade, a Uber lançou o Uber Pet no Brasil, facilitando o transporte de animais. O serviço, que começou em Curitiba, já está presente em cerca de 50 cidades.
No varejo físico, lojas têm adaptado seus espaços para receber pets, com bebedouros e áreas de apoio, refletindo a presença cada vez maior dos animais na rotina urbana.
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Oportunidades para o futuro

Um mercado cheio de possibilidades
O avanço do setor pet acompanha mudanças sociais importantes, como famílias menores e maior gasto por indivíduo. Isso abre caminho para inovação em diferentes áreas:
• espaços pet-friendly: áreas dedicadas em shoppings e supermercados;
• produtos híbridos: itens que atendem pets e humanos ao mesmo tempo;
• serviços digitais: telemedicina veterinária e assinaturas personalizadas;
• turismo pet-friendly: hotéis e destinos adaptados para receber animais.
No fim das contas, a principal estratégia pode ser simples: reconhecer que os pets já são parte da família — e adaptar produtos, serviços e experiências a essa nova realidade.