Direitos dos Pets
Fernanda Rocha
| 21-05-2026

· Equipe de Estilo de Vida
Uma virada histórica no Brasil
O ano de 2025 marcou um avanço importante na forma como o Brasil enxerga os animais. Deixando para trás a ideia de que seriam apenas “coisas”, os pets passam a ser reconhecidos como seres sencientes, com direitos próprios.
Essa mudança acompanha uma tendência global e já impacta decisões judiciais, casos de maus-tratos e até disputas familiares envolvendo animais de estimação.
De bens a sujeitos de direitos
Uma mudança de paradigma jurídico
Durante anos, o Código Civil tratou os animais como bens móveis, sem considerar sua capacidade de sentir. Esse entendimento começou a mudar com novas leis e decisões judiciais.
Com propostas como o PLC 27/2018 e legislações estaduais mais avançadas, os animais passaram a ser reconhecidos como:
• seres sencientes: capazes de sentir dor, medo e prazer;
• sujeitos de direitos despersonificados: com proteção jurídica própria;
• participantes em processos: representados por ONGs, tutores ou Ministério Público.
Um caso emblemático ocorreu no Paraná, quando dois cães foram reconhecidos como autores de uma ação judicial por maus-tratos — um precedente importante no país.
O que dizem as leis
Base legal reforça proteção animal
A legislação brasileira vem evoluindo para acompanhar essa nova realidade:
• constituição Federal: proíbe práticas cruéis contra animais;
• lei 14.064/2020: aumentou penas para maus-tratos;
• PLC 27/2018: propõe reconhecer a natureza jurídica própria dos animais;
• PL 2070/2023: prevê direitos patrimoniais e acesso à Justiça.
Além disso, decisões recentes do Supremo Tribunal Federal reforçam a proteção ao impedir práticas que coloquem animais em risco.
Casos que abriram caminho
Jurisprudência consolida novos direitos
Nos últimos anos, decisões judiciais têm ampliado a proteção aos animais:
• caso Spike e Rambo (PR): cães reconhecidos como autores em ação por abandono;
• guarda de pets (RS): decisões consideram o bem-estar do animal em separações;
• herança para pets (SP): bens podem ser destinados a animais via testamento.
Esses exemplos mostram como o Judiciário tem adaptado a lei à realidade atual.
Direitos que já fazem diferença
Impactos práticos no dia a dia
Na prática, o reconhecimento jurídico traz mudanças importantes:
• acesso à Justiça: animais podem ser representados em processos;
• proteção contra maus-tratos: denúncias geram investigação;
• direito à herança: pets podem receber bens por testamento;
• direito à saúde: tratamentos essenciais ganham mais respaldo.
Essas medidas ampliam a proteção e reforçam a responsabilidade dos tutores.
Desafios ainda existem
Aplicação das leis ainda é desigual
Apesar dos avanços, o cenário ainda apresenta obstáculos:
• falta de padronização: algumas regiões têm leis mais avançadas;
• fiscalização limitada: nem todas as denúncias resultam em punição;
• resistência cultural: práticas tradicionais ainda geram debate.
Esses fatores mostram que a evolução legal ainda está em construção.
Como proteger seu pet
Medidas práticas para tutores
Com as mudanças, algumas ações se tornam cada vez mais importantes:
• registrar o animal: cadastro nacional facilita identificação;
• planejar o futuro: incluir o pet em testamentos;
• denunciar abusos: utilizar canais oficiais de proteção.
Essas atitudes ajudam a garantir mais segurança e direitos para os animais.
O que esperar do futuro
Tendência é ampliar ainda mais os direitos
O movimento de proteção animal deve continuar avançando nos próximos anos. Entre as possibilidades discutidas estão:
• direitos mais específicos: como liberdade e bem-estar garantidos;
• famílias multiespécie: reconhecimento legal mais amplo;
• uso de tecnologia: monitoramento e rastreamento mais eficientes.
Uma conquista que reflete a sociedade
O reconhecimento dos animais como sujeitos de direito representa uma mudança profunda — não apenas jurídica, mas também cultural.
Mais do que nunca, fica claro que os pets não são objetos, mas seres que merecem respeito, proteção e cuidado.