Juros e Consumo
Thiago Lima
Thiago Lima
| 26-05-2026
Equipe de Ciências · Equipe de Ciências
A economia brasileira deve enfrentar um ano de 2026 marcado por tensões entre estímulos ao consumo e a necessidade de controlar a inflação.
A avaliação é da especialista Rita Mundim, apresentada no programa “Perspectivas 2026”, da CNN Brasil.
Juros e Consumo
Segundo ela, o país pode entrar em um ciclo delicado, em que medidas de incentivo econômico entram em choque com ações de contenção inflacionária, criando um ambiente de incerteza para famílias e investidores.

Impacto da mudança no imposto de renda

Durante o debate, Mundim destacou que o Banco Central decidiu retirar o chamado forward guidance (orientação futura) — sinalização antecipada sobre os rumos da política monetária — diante das dúvidas sobre os efeitos da isenção do imposto de renda.
A principal incógnita está no comportamento das famílias. A partir de janeiro, cerca de R$ 28 bilhões devem entrar na economia, mas ainda não está claro como esse valor será utilizado. “Não sabemos se esse dinheiro vai para consumo, poupança ou pagamento de dívidas”, explicou a analista.

Juros devem seguir elevados

A projeção da especialista é de que a taxa Selic encerre 2026 em 12,5%, mantendo-se em patamar de dois dígitos.
Esse nível alto de juros estaria ligado ao modelo atual, que incentiva o consumo por meio de crédito e benefícios sociais. Para Mundim, esse tipo de estímulo acaba pressionando a inflação, exigindo uma resposta mais dura da política monetária.
Juros e Consumo

Choque entre políticas econômica e monetária

Um dos pontos centrais da análise é o desalinhamento entre as ações do governo federal e do Banco Central.
Enquanto o governo aposta em medidas para aquecer a economia, o Banco Central atua no sentido oposto, elevando os juros para conter a inflação. O resultado é um efeito contraditório, que pode prejudicar o desempenho econômico.
A especialista resumiu o cenário com uma metáfora direta: o governo acelera, o Banco Central freia — e a economia sofre as consequências, com juros mais altos e crescimento comprometido.

Risco Brasil e impacto político

Outro fator relevante é o chamado Risco Brasil, indicador que mede a confiança de investidores internacionais na economia e na estabilidade política do país. Quanto maior esse risco, maior tende a ser a pressão por juros elevados.
Além disso, a inflação continua sendo um elemento sensível para a população. O custo de vida influencia diretamente a percepção econômica dos brasileiros e pode pesar nas decisões eleitorais, tornando o cenário de 2026 ainda mais estratégico do ponto de vista político.