Corrida Sem Mitos
Fernanda Rocha
| 09-06-2026

· Equipe de Esportes
O sedentarismo segue como um dos maiores desafios de saúde pública no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,8 bilhão de pessoas estão mais vulneráveis a doenças por conta da falta de atividade física.
Problemas como hipertensão, diabetes, infarto e AVC, hoje entre as principais causas de morte global, estão diretamente ligados à inatividade.
No Brasil, a desculpa mais comum para não praticar exercícios ainda é a falta de tempo. Mas especialistas reforçam que não é preciso passar horas treinando para conquistar benefícios importantes para a saúde.
Corrida pode trazer resultados rápidos
A corrida aparece como uma alternativa prática e eficiente para quem quer sair do sedentarismo. Segundo a fisioterapeuta Raquel Castanharo, apenas 25 minutos correndo podem oferecer benefícios semelhantes aos de 105 minutos de caminhada.
A especialista, que participou do programa VEJA E CUIDE-SE, disponível no YouTube e no Spotify, explicou ainda que muitos conceitos populares sobre corrida não passam de mitos — e acabam afastando iniciantes da modalidade.
Veja os quatro principais equívocos desmentidos pela especialista.
1. “Correr na ponta do pé é melhor”
Isso não é verdade. Segundo Raquel Castanharo, não existe uma forma única e correta de pisar durante a corrida. Algumas pessoas aterrissam com o calcanhar, outras com o meio do pé ou com a parte da frente — e nenhuma dessas opções determina se alguém corre melhor ou pior.
A fisioterapeuta destaca que estudos científicos já mostraram que não há um tipo de passada superior aos demais. Forçar uma pisada que não seja natural pode, inclusive, aumentar o risco de sobrecarga e lesões nas pernas.
2. “Existe uma respiração perfeita para correr”
Outro mito bastante comum envolve a respiração. Diferentemente da natação, onde o controle respiratório é essencial para o desempenho, na corrida não existe uma técnica universal capaz de melhorar a performance.
A falta de fôlego no início é normal.
Corredores iniciantes costumam sentir dificuldade para respirar nos primeiros treinos, mas isso tende a melhorar conforme o condicionamento físico evolui. Com prática regular, coração, pulmões e músculos passam a suportar melhor o esforço.
3. “180 passos por minuto é a cadência ideal”
A ideia de que existe um número mágico de passos por minuto também não se sustenta. A cadência varia de pessoa para pessoa e depende de fatores como velocidade, altura e tamanho das pernas.
Raquel explica que alguém correndo a 20 km/h naturalmente dará mais passos por minuto do que quem está correndo a 10 km/h. Por isso, estabelecer uma meta fixa para todos os corredores não faz sentido.
4. “Correr envelhece”
Apesar da fama, a corrida não acelera o envelhecimento. Na verdade, a prática regular pode aumentar a expectativa de vida em até três anos, além de contribuir para um envelhecimento mais saudável.
As mudanças no rosto observadas em alguns atletas, segundo a especialista, estão mais relacionadas à perda de gordura corporal e à exposição solar sem proteção adequada do que à corrida em si.
Mais do que estética, o exercício ajuda a viver mais e melhor.