China na Lua
Gabriel Souza
Gabriel Souza
| 09-06-2026
Equipe de Astronomia · Equipe de Astronomia

Um novo avanço rumo ao espaço profundo

China deu um passo em sua ambição de se consolidar como potência espacial e avançar em direção à Lua.
No último domingo (24), o país lançou com sucesso a missão Shenzhou-23, que seguiu rumo à estação espacial Tiangong, também conhecida como “Palácio Celestial”.
O lançamento marca o início de uma fase inédita no programa espacial chinês: pela primeira vez, um astronauta do país deverá permanecer em órbita por um ano inteiro.
A experiência será essencial para reunir dados que vão apoiar futuras missões tripuladas à Lua, previstas para acontecer antes do fim desta década.

Decolagem e início da missão

O foguete Longa Marcha 2F decolou do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan às 23h08 no horário local (12h08 em Brasília). A bordo da espaçonave, três astronautas iniciaram uma jornada que inclui uma série de experimentos científicos em órbita.
Entre os principais estudos estão pesquisas em física de fluidos, medicina espacial e ciência dos materiais, áreas consideradas fundamentais para o avanço das missões de longa duração no espaço.
China na Lua

Uma tripulação que entra para a história

A missão também chama atenção pelo perfil dos tripulantes. Um dos destaques é Li Jiaying, de 43 anos, ex-integrante da força policial de Hong Kong, que se torna a primeira astronauta do território semiautônomo a ir ao espaço.
Completam a equipe o comandante Zhu Yangzhu, engenheiro aeroespacial de 39 anos, e Zhang Zhiyuan, também de 39 anos, ex-piloto da força aérea chinesa que realiza sua primeira missão em órbita.
Segundo a Agência Espacial Tripulada da China (CMSA), ainda será definido ao longo da missão qual dos astronautas ficará os 12 meses completos no espaço. Até agora, as estadias na estação Tiangong eram de cerca de seis meses.

O corpo humano sob pressão no espaço

O principal objetivo da permanência prolongada é entender como o corpo humano reage a longos períodos em microgravidade.
Perda de massa muscular, diminuição da densidade óssea, distúrbios do sono e fadiga psicológica estão entre os efeitos monitorados. Além disso, a exposição constante à radiação cósmica também será analisada com atenção.
Esses dados são considerados essenciais para preparar futuras missões de longa duração, incluindo viagens à Lua e, em um cenário mais distante, a Marte.

Corrida espacial e ambições globais

O avanço do programa espacial chinês é resultado de décadas de investimentos pesados em tecnologia e pesquisa. Desde 2011, quando foi excluída da Estação Espacial Internacional por restrições dos Estados Unidos, a China acelerou o desenvolvimento de sua própria estação orbital.
Essa estratégia de autonomia já trouxe resultados marcantes. Em 2019, o país realizou o primeiro pouso no lado oculto da Lua. Já em 2021, conseguiu colocar um rover na superfície de Marte.
China na Lua
Agora, a atenção se volta para os próximos passos. Ainda este ano, a China deve realizar testes da nova espaçonave Mengzhou (“Nave dos Sonhos”), projetada para futuras missões lunares.
O objetivo final é ainda mais ambicioso: construir, até 2035, o primeiro módulo da Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS), consolidando a presença chinesa como uma das principais forças na nova corrida espacial global.