Menos Sal
Gustavo Rodrigues
Gustavo Rodrigues
| 09-06-2026
Equipe de Alimentação · Equipe de Alimentação
A praticidade dos temperos prontos pode facilitar a rotina na cozinha, mas seu consumo frequente preocupa especialistas em saúde cardiovascular.
Encontrados em sachês, cubos e misturas prontas, esses produtos costumam concentrar grandes quantidades de sódio, além de gorduras saturadas, gorduras trans e diversos aditivos químicos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a recomendação é consumir até cinco gramas de sal por dia. No entanto, os brasileiros ingerem, em média, o dobro dessa quantidade, o que aumenta significativamente os riscos para a saúde.
Em alguns casos, um único sachê de tempero pode fornecer mais de 40% do limite diário recomendado de sal.
O excesso de sódio está diretamente associado ao aumento da pressão arterial, um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. Com a pressão elevada, crescem as chances de problemas graves como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e complicações renais.
Além disso, o uso frequente de temperos industrializados pode contribuir para o aumento do colesterol LDL, conhecido como colesterol "ruim". Esse fator é considerado uma das principais causas de mortes relacionadas ao sistema cardiovascular, ficando atrás apenas da hipertensão.
Dados da mais recente Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose apontam que uma em cada três pessoas apresenta colesterol total acima de 200 mg/dL. Já o LDL elevado afeta cerca de uma em cada cinco pessoas, sendo mais comum entre as mulheres.
Menos Sal
Embora a taxa de mortalidade associada ao colesterol LDL tenha diminuído nas últimas décadas, especialistas alertam para um cenário que ainda inspira atenção.
Enquanto a taxa proporcional de mortes caiu entre 2001 e 2021, o número absoluto de óbitos ligados a doenças cardiovasculares associadas ao colesterol elevado aumentou consideravelmente no mesmo período.
Isso significa que, apesar dos avanços na prevenção e no tratamento, as doenças cardiovasculares continuam sendo um importante desafio de saúde pública.
A boa notícia é que existem diversas alternativas naturais capazes de realçar o sabor dos alimentos sem comprometer a saúde. Ervas aromáticas e especiarias são algumas das principais recomendações dos especialistas.
Além de reduzir a necessidade de sal, esses ingredientes oferecem compostos antioxidantes e anti-inflamatórios que podem beneficiar o organismo.
As pimentas estão entre as opções mais eficientes para substituir parte do sal nas refeições. Elas acrescentam intensidade aos pratos sem aumentar significativamente a ingestão de sódio.
A pimenta vermelha, por exemplo, contém capsaicina, substância associada à regulação do apetite, do metabolismo e do controle do peso corporal. Estudos também sugerem que ela pode ajudar na melhora dos níveis de colesterol e triglicerídeos.
Já as variedades preta, branca e verde possuem piperina, composto que favorece a absorção de nutrientes, auxilia a digestão e apresenta propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.
Ingredientes como alho, limão, cúrcuma, gengibre, alecrim, tomilho e orégano são excelentes aliados para quem deseja reduzir o consumo de sal.
Além de trazer novos aromas e sabores aos pratos, essas opções fornecem substâncias que ajudam a proteger o coração e contribuem para uma alimentação mais equilibrada.
Outra sugestão apresentada pelos especialistas é o sal de casca de cebola, que pode ser preparado em casa.
A receita consiste em lavar as cascas de quatro cebolas, desidratá-las no forno a cerca de 140°C por alguns minutos e depois triturá-las com 100 gramas de sal. O resultado é um tempero aromático que contém quercetina, antioxidante associado a diversos benefícios para a saúde.
Uma série especial publicada pela revista científica The Lancet reforçou as preocupações sobre o consumo crescente de alimentos ultraprocessados. Os estudos destacam que esses produtos vêm substituindo opções mais saudáveis na alimentação cotidiana e estão associados a impactos negativos para a saúde, a economia e a sustentabilidade.
Menos Sal
Os pesquisadores também defendem a adoção de políticas públicas que incentivem hábitos alimentares mais saudáveis e reduzam a dependência de produtos altamente processados.
Especialistas lembram que ervas, especiarias e outras alternativas naturais podem ser importantes aliadas para melhorar a qualidade da alimentação. No entanto, elas não substituem tratamentos médicos nem medicamentos prescritos.
Manter uma dieta equilibrada, controlar o consumo de sódio e realizar acompanhamento médico regular continuam sendo medidas essenciais para preservar a saúde cardiovascular ao longo da vida.