Algoritmos e poder
Eduardo Lima
Eduardo Lima
| 30-06-2026
Equipe de Astronomia · Equipe de Astronomia
Em um primeiro encontro, uma jovem escolhe um restaurante com a ajuda do ChatGPT, encontra o local pelo Maps e chega até ele usando um aplicativo de transporte.
O rapaz que a espera está ocupado baixando um app para controlar a música do ambiente. A cena parece comum, mas ilustra uma realidade cada vez mais presente: nossas decisões diárias são constantemente mediadas por algoritmos.
Essa é a reflexão central de Política dos algoritmos – Instituições e as transformações da vida social, obra que analisa como os algoritmos deixaram de ser apenas ferramentas tecnológicas para assumir um papel estrutural na organização da vida em sociedade.

Quando os algoritmos moldam o cotidiano

Os algoritmos estão presentes em praticamente todos os aspectos da vida moderna. Eles ajudam a definir os trajetos que percorremos, os conteúdos que consumimos, as músicas que ouvimos, os produtos que compramos e até as pessoas com quem nos relacionamos.
Além do cotidiano, sua influência alcança áreas de grande impacto social, como políticas públicas, sistemas de saúde, segurança pública, arrecadação de impostos e processos eleitorais.
Segundo os autores, compreender essa presença crescente exige ir além da visão que trata os algoritmos apenas como ferramentas técnicas.
Algoritmos e poder

O que são algoritmos?

Em termos simples, um algoritmo é uma sequência organizada de instruções criada para resolver um problema ou alcançar um objetivo específico.
Eles podem ser utilizados para tarefas simples, como ordenar informações em ordem alfabética, ou para operações complexas, como identificar fraudes financeiras, analisar grandes volumes de dados ou recomendar conteúdos em plataformas digitais.
Nos últimos anos, o avanço da capacidade computacional e o crescimento exponencial da quantidade de dados disponíveis impulsionaram uma nova geração de algoritmos. Com isso, sistemas de aprendizado de máquina passaram a desempenhar funções cada vez mais sofisticadas e relevantes para a sociedade.

Algoritmos como instituições

O principal diferencial do livro está na proposta de interpretar os algoritmos a partir da teoria institucionalista.
Os autores argumentam que os algoritmos não devem ser vistos nem como entidades autônomas capazes de agir sozinhas, nem como instrumentos totalmente neutros. Em vez disso, eles funcionam como instituições que influenciam comportamentos, organizam relações sociais e ajudam a estruturar decisões coletivas.
Essa perspectiva permite compreender os algoritmos como elementos que exercem poder e moldam práticas sociais, produzindo efeitos tanto sobre indivíduos quanto sobre grupos e organizações.

Exemplos que ajudam a entender a transformação

Para tornar essa discussão mais concreta, a obra apresenta diversos casos relacionados a áreas como saúde e segurança pública.
Os exemplos mostram como sistemas algorítmicos já participam de decisões importantes, desde a identificação de possíveis fraudes até a definição de prioridades em programas governamentais e situações de emergência.
Ao analisar esses cenários, os autores convidam o leitor a refletir sobre o papel crescente da tecnologia na mediação das relações sociais e institucionais.

Os limites necessários para a tecnologia

Embora reconheça os benefícios proporcionados pelos algoritmos, o livro também alerta para os riscos de sua utilização sem mecanismos adequados de controle e supervisão.
Ética, responsabilidade e democracia aparecem como princípios fundamentais para orientar o desenvolvimento e a aplicação dessas tecnologias. Para os autores, a sociedade precisa participar ativamente da definição dos limites e das regras que governam o uso dos algoritmos.
Algoritmos e poder

Uma leitura para compreender o presente

Política dos algoritmos – Instituições e as transformações da vida social oferece uma análise profunda sobre uma das transformações mais importantes da era digital. Ao propor o conceito de institucionalismo algorítmico, a obra fornece ferramentas para entender como a tecnologia influencia decisões, comportamentos e estruturas sociais.
Mais do que discutir inovação, o livro convida o leitor a refletir sobre quem exerce poder em uma sociedade cada vez mais orientada por sistemas automatizados — e sobre como garantir que esse poder permaneça alinhado aos valores democráticos.