Lendárias peruas dos anos 80
Carolina Santos
Carolina Santos
| 17-07-2026
Equipe de Veículos · Equipe de Veículos
Hoje elas perderam espaço para os SUVs, mas há 32 anos as peruas eram o sonho de muitas famílias brasileiras.
Eram elas que levavam pais, filhos e toda a bagagem nas longas viagens de férias, oferecendo espaço e conforto para enfrentar as estradas.
Em dezembro de 1985, durante as férias de fim de ano, a revista QUATRO RODAS colocou seis modelos nacionais frente a frente em um grande comparativo: VW Quantum CG, VW Parati GLS, Fiat Panorama CL, Ford Scala Ghia, Chevrolet Caravan Diplomata e Chevrolet Marajó SL.
A escolha dependia do uso
Antes de apontar uma vencedora, a reportagem destacava que o comprador precisava analisar o tipo de utilização do carro. Era necessário pensar se a maior parte dos trajetos seria feita na cidade ou na estrada, com ou sem carga, já que espaço não era o único fator importante.

Caravan foi a mais rápida, mas gastava mais combustível

Com seu motor de 4.100 cm³ e seis cilindros, a Chevrolet Caravan Diplomata foi o destaque em desempenho. Ela atingiu 174,3 km/h de velocidade máxima e acelerou de 0 a 100 km/h em 12,2 segundos, números impressionantes para uma perua de 1.224 kg.
Logo atrás apareceu a Volkswagen Parati GLS. Mesmo equipada com motor 1.6, ela superou a Quantum CG 1.8 no desempenho. Marajó, Panorama e Scala completaram a disputa.
A Ford Scala Ghia alcançou velocidade máxima superior à Fiat Panorama, mas recebeu a pior avaliação entre as duas porque sua aceleração era quase dois segundos mais lenta.

Motor antigo

Economia favoreceu Parati e Panorama
Quando o assunto era consumo, o grande motor da Caravan não conseguiu acompanhar as rivais. A liderança ficou dividida entre a Fiat Panorama CL e a Volkswagen Parati GLS, que registraram médias de 13,45 km/l e 13,41 km/l na estrada, respectivamente.
Marajó, Quantum e Scala também apresentaram resultados considerados satisfatórios.
Apesar de entregar a maior potência do grupo, o motor 4.1 da General Motors não foi escolhido como o melhor. Segundo a avaliação da época, ele era um projeto antigo e não apresentava uma boa relação entre cilindrada e potência.
A vitória ficou com os motores Volkswagen: o 1.6 da Parati e o 1.8 da Quantum.
Os câmbios de cinco marchas da dupla da Volkswagen também foram elogiados pelo escalonamento e pela precisão dos engates. Quantum e Parati novamente se destacaram, inclusive em uma condução mais esportiva.
Panorama e Scala ficaram logo atrás, com engates considerados um pouco ásperos. A Marajó tinha um câmbio mais duro, enquanto a Caravan usava apenas quatro marchas — uma quinta relação poderia ajudar bastante na redução do consumo.

Segurança e estabilidade equilibradas

Na avaliação de segurança, os seis modelos apresentaram desempenho semelhante. Os sistemas de freios mantiveram os carros em trajetória mesmo durante frenagens de emergência, e as distâncias para parar foram consideradas normais.
Na direção, Caravan, Quantum e Scala levavam vantagem pelo sistema hidráulico, embora ele fosse item de série apenas na perua da Chevrolet.
Nenhuma das seis conseguiu uma superioridade clara em estabilidade. Todas transmitiam confiança ao motorista. Com o carro carregado, as curvas eram feitas com respostas um pouco mais lentas, mas sem comprometer o resultado.
A Parati GLS foi considerada a mais equilibrada do conjunto, destacando-se pela estabilidade e pela posição de dirigir.
Lendárias peruas dos anos 80

Quantum venceu em estilo e conforto

O visual mais moderno da Volkswagen Quantum CG conquistou a avaliação de estilo. O desenho equilibrado, especialmente com as quatro portas, foi apontado como um de seus principais pontos positivos.
A reportagem observou que o modelo poderia melhorar com um pequeno rebaixamento da carroceria. Já a Parati tinha como principal defeito uma traseira que parecia pouco integrada ao restante do carro.
No conforto, a Quantum foi a campeã graças aos bancos amplos e envolventes.

Painel completo

Parati tinha a melhor posição de dirigir
A Volkswagen Parati GLS ganhou destaque pela posição ao volante, graças ao banco com regulagem de altura.
Marajó, Panorama e Scala receberam notas menores porque seus bancos não seguravam o corpo com tanta firmeza nas curvas. Além disso, o volante da Fiat Panorama ficava em uma posição considerada muito horizontal.
Apesar de não oferecer a melhor posição para dirigir, a Ford Scala Ghia foi imbatível no painel. O conjunto de instrumentos era completo, fácil de ler e oferecia todas as informações necessárias para o motorista.
Caravan e Quantum também tiveram pontos positivos, principalmente pelo conta-giros de bom tamanho.
Quantum levou vantagem no porta-malas
Nas viagens de férias, o espaço para bagagem era essencial. Caravan, Quantum e Scala, por serem as versões mais caras, saíam de fábrica com bagageiro no teto e uma tampa divisória para proteger os objetos transportados.
Com essa tampa instalada, o volume era equivalente ao dos modelos dos quais elas derivavam.
Sem a divisória, a vantagem ficou com a Quantum, que comportava 796 litros. A Caravan levava 774 litros e a Scala 768 litros.
A Marajó ficava bem atrás, com capacidade de apenas 469 litros, exigindo que algumas malas fossem deixadas em casa.

O que a QUATRO RODAS dizia em dezembro de 1985

A avaliação original destacou que a Caravan Diplomata era a mais silenciosa do grupo, seguida de perto pela Quantum CG.
A Parati GLS, por ser uma versão mais luxuosa, ficou em terceiro lugar nesse quesito. Já a Scala Ghia decepcionou, apresentando nível de ruído semelhante ao das Ford Belina avaliadas anteriormente.
A Fiat Panorama foi prejudicada pelo barulho do câmbio quando o carro estava em ponto morto.

Teste QUATRO RODAS – dezembro de 1985

Desempenho:
- Parati GLS: 0 a 100 km/h em 13,1 s; velocidade máxima de 162 km/h;
- Quantum CG: 0 a 100 km/h em 14,2 s; velocidade máxima de 160 km/h;
- Panorama CL: 0 a 100 km/h em 18,5 s; velocidade máxima de 139,2 km/h;
- Scala Ghia: 0 a 100 km/h em 20,5 s; velocidade máxima de 141 km/h;
- Caravan Diplomata: 0 a 100 km/h em 12,2 s; velocidade máxima de 174,3 km/h;
- Marajó SL: 0 a 100 km/h em 15,8 s; velocidade máxima de 149,3 km/h.
Consumo médio:
- Parati GLS: 10,45 km/l;
- Quantum CG: 9,64 km/l;
- Panorama CL: 10,36 km/l;
- Scala Ghia: 9,35 km/l;
- Caravan Diplomata: 5,01 km/l;
- Marajó SL: 10,09 km/l.
Preços em dezembro de 1985
- Parati GLS: Cr$ 65.287.000;
- Quantum CG: Cr$ 91.302.000;
- Panorama CL: Cr$ 45.521.000;
- Scala Ghia: Cr$ 90.282.000;
- Caravan Diplomata: Cr$ 115.333.000;
- Marajó SL: Cr$ 44.060.000.
Lendárias peruas dos anos 80
Ficha técnica:
- a Parati GLS usava motor dianteiro longitudinal de quatro cilindros em linha, 1.596 cm³, carburador, 85 cv a 5.600 rpm e câmbio manual de cinco marchas com tração dianteira;
- a Quantum CG tinha motor dianteiro longitudinal de quatro cilindros em linha, 1.781 cm³, 94 cv a 5.000 rpm e câmbio manual de cinco marchas;
- a Panorama CL utilizava motor dianteiro transversal de quatro cilindros, 1.297 cm³, 58,7 cv e câmbio manual de cinco marchas;
- a Scala Ghia vinha com motor dianteiro longitudinal de quatro cilindros, 1.555 cm³, 71,7 cv e câmbio manual de cinco marchas;
- a Caravan Diplomata era equipada com motor dianteiro longitudinal de seis cilindros em linha, 4.093 cm³, 134 cv a 4.000 rpm e câmbio manual de quatro marchas com tração traseira;
- a Marajó SL tinha motor dianteiro longitudinal de quatro cilindros, 1.599 cm³, 72 cv e câmbio manual de cinco marchas com tração traseira.