Híbridos em teste
Laura Almeida
| 24-07-2026

· Equipe de Veículos
Uma maratona para colocar os híbridos à prova
Os carros híbridos representam diferentes caminhos para combinar motores elétricos e a combustão em busca de maior eficiência.
Para descobrir como essas tecnologias se comportam em uma viagem real, a equipe da QUATRO RODAS reuniu quatro modelos com propostas distintas: Honda Civic e:HEV, Kia Stonic MHEV, GWM Haval H6 HEV e BYD Song Plus PHEV.
A jornada começou em São Paulo, seguiu até Franca, no interior paulista, a cerca de 395 km da capital, e terminou apenas quando todos os veículos ficaram completamente sem energia e combustível. O principal objetivo era medir a autonomia, mas também avaliar o consumo e o comportamento de cada sistema híbrido em condições semelhantes.
Como o teste foi realizado
Para garantir uma comparação justa, os jornalistas se revezaram ao volante e também alternaram a posição dos carros no comboio, reduzindo diferenças provocadas pelo estilo de condução ou pela resistência do vento. Todos os modelos rodaram com o ar-condicionado ajustado na mesma temperatura e sempre no modo de condução mais econômico disponível.
Enquanto os participantes dirigiam os veículos, um carro de apoio acompanhava todo o percurso para registrar a experiência.
Kia Stonic aposta na simplicidade
O Kia Stonic representou a categoria dos híbridos leves (MHEV), utilizando um motor elétrico de 48 volts conectado ao motor 1.0 turbo por meio de um sistema BSG (belt starter generator). Seu principal recurso é o modo "Velejar", que desliga temporariamente o motor a combustão em determinadas situações para reduzir o consumo.
Boa eficiência, mas autonomia limitada
Embora o sistema tenha funcionado corretamente, ele foi interrompido com frequência por pequenas acelerações ou frenagens durante a viagem. Ainda assim, o SUV mostrou eficiência interessante para sua proposta.
Com tanque de apenas 45 litros, o Stonic era o principal candidato a ficar sem combustível primeiro. Foi exatamente o que aconteceu, mas somente após percorrer 664 km. Mesmo quando o computador de bordo indicava autonomia zero, o modelo ainda rodou mais de 50 km antes da pane seca. O consumo médio registrado foi de 14,7 km/l.
Honda Civic surpreende pela inteligência eletrônica
O Honda Civic e:HEV utiliza uma arquitetura bastante diferente. Seu conjunto combina um motor 2.0 aspirado com dois motores elétricos, administrados por um sofisticado sistema eletrônico capaz de decidir, em tempo real, qual combinação oferece maior eficiência.
Eletrônica faz a diferença
Em vários momentos da viagem, o sedã trafegou praticamente como um carro elétrico, enquanto em velocidades mais altas o motor a combustão assumia maior protagonismo. Em outras situações, o próprio motor 2.0 funcionava apenas como gerador para alimentar os motores elétricos.
Essa gestão inteligente da energia já havia permitido ao Civic registrar 22,5 km/l na cidade e 17,9 km/l em testes anteriores da revista. Durante a maratona, o consumo médio ficou em excelentes 17,7 km/l, o melhor entre todos os participantes.
Apesar disso, o tanque de apenas 40 litros limitou sua autonomia. O modelo percorreu 710 km antes de parar, ficando em segundo lugar na ordem das panes secas.
GWM Haval H6 prioriza autonomia
Representando os híbridos convencionais (HEV), o GWM Haval H6 combina um motor elétrico de 136 cv com um motor 1.5 turbo de 171 cv, formando um conjunto bastante robusto.
Tanque maior compensou o consumo
Na estrada, o SUV registrou consumo de 12,7 km/l, praticamente repetindo o desempenho observado em avaliações anteriores da revista. O resultado ficou abaixo do esperado em eficiência, mas o tanque de 60 litros ajudou a compensar esse desempenho.
Graças à maior capacidade de combustível, o Haval percorreu 764 km antes de parar, tornando-se o penúltimo veículo a ficar sem combustível.
BYD Song Plus foi o último a parar
O BYD Song Plus representa os híbridos plug-in (PHEV), equipados com baterias maiores e possibilidade de recarga externa. Sua bateria de 8,3 kWh permite rodar até 51 km exclusivamente em modo elétrico.
Estratégia faz toda a diferença
Em viagens longas, porém, utilizar toda a carga elétrica logo no início não é a melhor alternativa. A estratégia mais eficiente consiste em administrar o funcionamento conjunto do motor elétrico e do motor 1.5 aspirado de 110 cv, preservando energia ao longo do percurso.
Mesmo assim, o resultado ficou abaixo das expectativas. O consumo médio foi de apenas 13,1 km/l, bem distante dos 19,6 km/l registrados anteriormente em testes da publicação.
Com tanque de 58 litros, o Song Plus percorreu 765 km antes da pane seca, apenas alguns metros além do Haval H6, tornando-se o veículo que chegou mais longe na maratona.
Quem foi o grande vencedor?
Embora o BYD Song Plus tenha conquistado a maior autonomia total, o desempenho mais impressionante ficou com o Honda Civic e:HEV. Seu avançado gerenciamento eletrônico permitiu alcançar o melhor consumo médio entre todos os participantes, mostrando como a integração entre mecânica e eletrônica se tornou decisiva nos sistemas híbridos modernos.
O Kia Stonic também recebeu destaque por oferecer uma solução de eletrificação mais simples e acessível, com acréscimo aproximado de R$ 10 mil ao preço do veículo, uma tecnologia que tende a se tornar cada vez mais comum nos automóveis produzidos no Brasil.