Casa tropical no Brasil
Rafael Oliveira
Rafael Oliveira
| 13-08-2026
Equipe de Viagens · Equipe de Viagens
Em meio à vegetação exuberante do interior do Brasil, uma casa de campo nos arredores de São Paulo mostra como o paisagismo tropical pode transformar uma arquitetura moderna em uma extensão viva da natureza.
Até mesmo o telhado foi convertido em um jardim, reforçando a conexão entre os espaços internos e externos.

Uma casa moderna cercada pelo verde

Conhecida como LGM House, a residência foi projetada pelo arquiteto Luciano Dalla Marta para uma família jovem que gosta de receber convidados. Considerada um luxuoso refúgio de fim de semana, a casa combina uma estética modernista com móveis vintage e amplos pavilhões com cobertura em madeira, concreto e aço Corten, que ajudam a proteger os ambientes do sol tropical.
Para reforçar a integração entre interior e exterior, os arquitetos utilizaram amplamente painéis de muxarabi de madeira, uma solução brasileira equivalente à mashrabiya árabe. Essas estruturas vazadas chegaram ao país por influência dos colonizadores portugueses e espanhóis e permitem criar sombra e privacidade sem bloquear a entrada da luz natural. Também ajudam a criar uma unidade visual entre os diferentes elementos da arquitetura.
Casa tropical no Brasil

Dois blocos cercados pelo jardim

A casa é formada por dois blocos: uma área social e uma área privada com sete quartos. Os volumes são conectados por uma passagem coberta, criando uma relação mais íntima com a paisagem ao redor.
O jardim tem papel tão importante quanto os próprios volumes construídos. Além de suavizar a presença da arquitetura, ele permite que os moradores vivenciem de maneira mais intensa o ambiente natural.
Os espaços externos foram desenvolvidos pelo Rodrigo Oliveira Paisagismo, um dos estúdios de paisagismo mais reconhecidos do Brasil. O trabalho de Rodrigo Oliveira reúne referências variadas, que vão das florestas tropicais aos terraços clássicos italianos e à assimetria dos jardins japoneses.

Um jardim em diálogo com a natureza

Para Rodrigo Oliveira, o jardim deve conversar diretamente com a natureza, em vez de ser tratado como algo separado dela. Essa visão orientou o projeto da LGM House, no qual a paisagem foi pensada a partir do que já existia no local.
O paisagista explica que, independentemente de o projeto estar em uma região seca, em uma floresta costeira ou em uma cidade densamente ocupada, o jardim deve trazer para a arquitetura a paisagem ao redor e o clima local. A proposta é interpretar os elementos existentes e criar uma transição contínua entre o ambiente construído e a natureza.

A vegetação invade os interiores

Na LGM House, essa ideia de aproveitar o que já existia no terreno foi essencial. Oliveira respondeu à simplicidade da arquitetura tanto em suas formas quanto em sua paleta de cores, fazendo do jardim uma verdadeira extensão da residência.
Em alguns pontos, a vegetação chega a entrar nos próprios ambientes, especialmente no hall de entrada, nas passagens e nas escadas. Grandes claraboias de vidro permitem observar os canteiros repletos de plantas, fazendo com que o verde assuma o papel de uma decoração viva.
Ao mesmo tempo, a própria construção oferece proteção para as plantas contra os raios solares mais intensos. A vegetação também foi utilizada para proteger a residência das propriedades vizinhas. Para isso, as árvores existentes receberam uma camada mais densa de folhagens, formando uma espécie de “cinturão verde” que integra a casa à paisagem sem a necessidade de limites rígidos.

O telhado virou um jardim

Os amplos beirais horizontais e a cobertura plana da residência criaram outra oportunidade para incorporar vegetação ao projeto. Oliveira transformou o telhado do bloco social em um “telhado verde”, acompanhado por um grande terraço pensado para momentos de descanso.
O espaço recebeu uma plantação densa de gramíneas e diferentes camadas de cobertura vegetal. Quando os moradores estão sentados, a vegetação cria a sensação de estar imerso na paisagem tropical e ajuda a esconder os elementos construídos da casa.

Plantas de diferentes alturas e texturas

A seleção de espécies priorizou a diversidade. Em vez de uma única planta dominante, o projeto combina diferentes volumes e alturas.
Entre as espécies mais altas estão árvores de pau-ferro brasileiro, identificadas como Libidibia ferrea, gramíneas-verdes do gênero Cenchrus purpureus ‘Green’, além de grandes exemplares de Philodendron e Maranta arundinacea. Em alturas menores, jasmim e gardênias-anãs acrescentam interesse visual ao nível dos olhos.
A proposta de Oliveira é naturalista. Por isso, predominam plantas verdes que procuram reproduzir a aparência da própria natureza. O paisagista acrescentou apenas tons de marfim para criar uma sensação de conforto visual.
O aroma também foi considerado importante, já que a vegetação está profundamente integrada ao interior da casa. Gardênias e jasmins contribuem com seus perfumes, enquanto diferentes texturas, tamanhos e formas tornam o jardim mais relaxante e sensorial. Segundo Oliveira, essa é uma maneira biofílica de projetar, na qual a natureza também contribui para o bem-estar.
Casa tropical no Brasil

Um jardim que também alimenta

Além de criar um microclima capaz de reduzir a necessidade de ar-condicionado, as plantas também ajudam a abastecer a casa. Uma pequena horta de ervas e vegetais complementa o estilo de vida dos moradores, que gostam de receber convidados. O espaço ainda conta com árvores frutíferas exóticas, como a jabuticabeira, identificada como Plinia cauliflora, e a araçazeira, ou Psidium cattleyanum.
Para Oliveira, o clima tropical do Brasil permite manter jardins bonitos durante todo o ano. No verão, especialmente quando chegam as chuvas, a vegetação se torna ainda mais abundante.
O paisagista considera a paisagem tropical essencial à arquitetura. Para ele, ela não deve funcionar apenas como pano de fundo ou decoração, mas como elemento responsável por conectar os volumes construídos à natureza e permitir que a casa realmente pertença ao lugar onde foi construída.