Empresas de São Paulo
Gabriel Souza
| 13-08-2026

· Equipe de Estilo de Vida
Capital atrai novos negócios
São Paulo ultrapassou duas marcas importantes na disputa por empresas e investimentos. Desde 2021, mais de 1 milhão de empresas foram abertas na capital, enquanto outras 100 mil companhias transferiram suas sedes de outros municípios para a cidade.
Ao todo, foram 1.007.827 novas empresas abertas e 101.116 transferências de sede desde 2021. Apenas no primeiro semestre de 2026, cerca de 100 mil novos negócios foram registrados na capital.
O movimento também teve impacto na arrecadação municipal. Desde 2021, as empresas que vieram de outras cidades recolheram mais de R$ 5,1 bilhões aos cofres públicos de São Paulo. Em 2026, o valor já ultrapassou R$ 1 bilhão.
Entre os grupos que transferiram suas sedes para a capital estão Netflix, MagaluPay, Casas Bahia, Amazon e Facebook. Segundo a prefeitura, a redução de impostos para determinados setores, a simplificação dos processos de abertura de empresas e os investimentos em infraestrutura ajudaram a impulsionar esse movimento.
“São Paulo oferece segurança jurídica, incentivos e infraestrutura para quem quer investir. Esse ambiente favorável tem atraído empresas, gerado empregos e consolidado a capital como o principal destino de novos negócios do país”, afirma o prefeito Ricardo Nunes.
Crescimento mantém ritmo
Os números mostram que o avanço se manteve nos últimos anos. Entre 2021 e 2025, a quantidade de novas empresas abertas em São Paulo cresceu 16%. No mesmo período, o número de companhias que transferiram suas sedes para a cidade aumentou 6%.
Uma das principais ferramentas utilizadas pela administração municipal é o Empreenda Fácil, sistema que reúne procedimentos municipais, estaduais e federais para a abertura, alteração e encerramento de empresas.
Para atividades consideradas de baixo risco, todo o processo é digital e autodeclaratório.
De acordo com a prefeitura, o prazo médio para abrir uma empresa na cidade caiu de aproximadamente 100 dias para menos de 50 horas.
Impostos menores para tecnologia
Outra frente adotada pela prefeitura foi a política tributária. Duas leis municipais aprovadas em 2021 e 2022 reduziram de 5% para 2% a alíquota do ISS para uma série de atividades ligadas à economia digital e à tecnologia.
A redução alcançou setores como serviços de streaming, mobilidade por aplicativos, audiovisual, monitoramento remoto, franquias e comunicação visual.
“Fizemos aquilo que tinha que ser feito. Enxugamos a máquina, atraímos muitas empresas para virem para a cidade de São Paulo. Portanto, elas pagam seus tributos aqui”, afirma Nunes.
Quase 5 milhões de empregos
A abertura e a chegada de empresas ocorrem em um período de expansão do mercado formal de trabalho na capital.
São Paulo terminou 2025 com taxa de desemprego de 5%, a menor já registrada na série informada pela administração municipal.
Em junho de 2026, a cidade alcançou quase 5 milhões de vínculos de emprego com carteira assinada, também o maior estoque da série histórica.
Nos 12 meses anteriores, foram registradas 2,9 milhões de admissões na capital. O número representa mais de 11% das contratações realizadas em todo o Brasil.
São Paulo também respondeu por 25,9% das vagas criadas em todo o estado.
Tecnologia ganha espaço
O setor de tecnologia está entre os segmentos que mais ganharam espaço na cidade.
Entre 2015 e 2025, o número de empregos formais em serviços de tecnologia avançou 61,2%, chegando a 221.352 postos de trabalho.
O segmento representa 4,1% dos vínculos formais da cidade e concentra 19,2% dos empregos brasileiros na área.
Centro vira nova vitrine
A atração de empresas não está restrita aos bairros que tradicionalmente concentram escritórios e sedes corporativas. A região central de São Paulo também passou a receber novos negócios, ao mesmo tempo em que avança a implantação de projetos residenciais, retrofits e investimentos públicos em infraestrutura.
Dados apresentados pela Prefeitura de São Paulo mostram um saldo positivo de 21.497 CNPJs na região em 2025. Entre janeiro e abril de 2026, foram registrados mais 6.957.
Entre as atividades que concentraram o maior número de empresas estavam comércio varejista, tecnologia da informação, saúde, serviços administrativos e publicidade.
Em entrevista à EXAME sobre a recuperação da região central, Nunes afirmou que a prefeitura passou a atuar diretamente na aproximação com empresas interessadas em ocupar imóveis na área.
“Conversamos com empresas e ajudamos a procurar espaços. Há companhias trazendo funcionários e operações para a região central”, disse o prefeito.
Segundo Nunes, a administração municipal criou uma estrutura para acompanhar as empresas interessadas em se instalar na região.
Centro precisa se adaptar
A estratégia para revitalizar o Centro, porém, não depende apenas da volta de escritórios ou da abertura de lojas.
Nunes destaca que a mudança nos hábitos de consumo reduziu o papel que o comércio tradicional exercia historicamente no varejo da região.
“Não dá para ficar pensando que somente a abertura de lojas resolverá a região. É necessário readequar a cidade à realidade atual”.
A proposta passou a combinar moradia, serviços, turismo, cultura e empresas.
A região também recebe obras em 23 calçadões do Triângulo Histórico, com investimento de R$ 63 milhões. Além disso, 14 ruas do Quadrilátero da República estão em processo de requalificação.
“Quando um prédio volta a ser ocupado, ele traz moradores, trabalhadores, consumidores e circulação para o entorno”, afirmou Nunes.