Pitacos de Gero Fasano
Mariana Silva
Mariana Silva
| 14-08-2026
Equipe de Estilo de Vida · Equipe de Estilo de Vida
O empresário Gero Fasano transformou pensamentos, opiniões e histórias pessoais em um livro que reúne gastronomia, humor e experiências acumuladas ao longo de sua trajetória.
Intitulado “55 Pitacos de Gero Fasano e suas 14 Receitas Prediletas da Cozinha Italiana”, o livro tem 174 páginas, custa R$ 120 e é publicado pela DBA.
A obra pode ser encontrada nas livrarias da Vila e da Travessa. Embora traga receitas de pratos como vitela, ossobuco, costela Angus e lagostins, Fasano reconhece que algumas preparações não são fáceis de fazer, mas considera importante conhecê-las.
Antes das receitas, o livro apresenta uma série de reflexões do empresário, acompanhadas de ilustrações do artista Marcelo Cipis. O humor aparece de forma inteligente e bem-humorada, tornando a leitura interessante tanto individualmente quanto para compartilhar com amigos à mesa. As informações sobre a publicação e seu conteúdo estão no material de origem.
Pitacos de Gero Fasano

De vídeos nas redes sociais para as páginas de um livro

As frases reunidas na publicação foram retiradas de vídeos que Gero Fasano gravou para reels em sua conta no Instagram, @gerofasano. Segundo o empresário, ele decidiu enfrentar o desafio de produzir os vídeos e acabou criando conteúdos que provocaram risadas, mas também algumas controvérsias.
Fasano conta que revisou três anos de gravações antes de selecionar os trechos que deram origem ao livro. Ele brinca que exerce uma espécie de função social como o “incomodador oficial”, já que suas opiniões frequentemente provocam discussões.

Críticas ao excesso de espetáculo nas cozinhas

Fasano mantém no livro a crítica às tentativas de transformar a cozinha de um restaurante em um palco ou até mesmo em um ringue. Para ele, o excesso de modismos e novas fórmulas apresentadas como verdades absolutas não representa necessariamente a realidade de um bom restaurante.
Um de seus principais exemplos é o chef escocês Gordon Ramsay, conhecido por programas de televisão e pelo formato de “Hell’s Kitchen”, que inspirou produções semelhantes em diversos países, incluindo “Cozinha sob Pressão”, no Brasil. Para Fasano, uma cozinha não precisa ser marcada por gritos e broncas. “É 2026. Não acabou a punição corporal nas escolas?”, questiona. Ele afirma que quer paz dentro de sua cozinha.
O mesmo vale para o salão
O empresário diz que deseja a mesma tranquilidade para seus clientes durante as refeições. Na visão de Fasano, o excesso de atendimento pode ser tão inconveniente quanto a falta dele. Para ele, um restaurante cumpre funções que vão além de simplesmente oferecer uma boa refeição. É também um lugar para conversar seriamente com o filho, encontrar a esposa ou simplesmente passar um tempo à mesa.
Por isso, Fasano defende que os garçons não interrompam os clientes sem necessidade. Para ele, deixar o consumidor à vontade é uma das principais regras para um bom serviço.

O livro também conta a história de Fasano

Embora reúna provocações e opiniões, a publicação também pode ser lida como uma espécie de autobiografia em pequenos flashes. Muitas das frases revelam experiências que ajudaram a formar a visão de mundo do empresário.
Uma delas resume algumas de suas preferências: a culinária italiana, o vinho francês e os carros alemães. Fasano acrescenta que, se tudo isso puder ser encontrado em Londres, melhor ainda.
A relação com a capital inglesa tem uma explicação. Fasano morou em Londres para estudar cinema e considera que frequentou a melhor escola. Na época, assistia a dois ou três filmes por dia e sonhava em se tornar diretor.
Ele afirma que aqueles foram anos maravilhosos e que acabou desenvolvendo uma forte ligação com Londres. Até hoje, segundo ele, mantém seu lado cinéfilo ao cuidar pessoalmente da iluminação dos estabelecimentos. Foi durante o período em Londres que Fasano também conheceu e se tornou amigo do escritor e jornalista Diogo Mainardi, responsável pelo prefácio do livro.

Comida, cinema e a relação com a Itália

Duas das frases presentes no livro fazem referência à saga cinematográfica “O Poderoso Chefão”, de Francis Ford Coppola, relacionando comida e emoção. Para Fasano, essa associação é até previsível diante do contexto das produções. Ele afirma que, onde quer que esteja um italiano ou alguém de origem italiana, a comida inevitavelmente acaba entrando na conversa.
Segundo Fasano, italianos podem passar o almoço discutindo o que irão comer à noite. Ele conta que chegou a perguntar a Coppola, quando o cineasta esteve no Brasil e os dois almoçaram juntos, qual era sua relação com a comida.

O conselho de Fasano para quem quer trabalhar à noite

Entre os textos do livro também estão conselhos para quem pretende trabalhar na área de restaurantes. Fasano alerta os jovens que consideram seguir carreira no salão ou na cozinha que o trabalho será noturno e que a noite pode trazer armadilhas.
O empresário relaciona essa experiência à própria trajetória. Ele conta que precisou passar por um transplante de fígado e que, depois de fechar um restaurante à meia-noite, quando tudo havia corrido bem, costumava ficar acelerado. Segundo Fasano, era nesse momento que ele relaxava com os amigos. Ele admite que bebeu demais e afirma que pagou um preço por isso.
As opiniões sobre o gim-tônica
O livro não traz receitas com bebidas alcoólicas, mas Fasano também aproveita a publicação para deixar algumas opiniões sobre o assunto. Para ele, um gim-tônica deve levar, no máximo, uma fatia de limão, sem pepino ou especiarias e nunca ser servido em uma taça tipo balão.
Em conversa com a reportagem, ele reforçou a preferência por um copo alto e o mais espesso possível, para que o gelo permaneça por mais tempo e a bebida não fique aguada.
Pitacos de Gero Fasano

O livro não deveria ter sido vendido

Fasano afirma que o livro inicialmente não foi pensado para ser comercializado, mas acabou chegando às livrarias. O empresário participou inclusive de eventos de lançamento e sessões de autógrafos. Mesmo depois de concluir o projeto, ele já pensa em uma nova publicação. Quando voltar a gravar reels, pretende escolher algumas das frases de que mais gosta e desenvolver melhor cada uma delas.
Uma das frases que ele considera merecer uma explicação é a ideia de que a Itália seria um país e a Sicília, outro. Fasano explica a brincadeira lembrando que, quando um siciliano vai a Roma, pode dizer que no dia seguinte irá para a Itália.
Segundo ele, os sicilianos nunca superaram completamente a unificação italiana. Para ilustrar a questão, cita o filme “Il Gattopardo”. Entre receitas, histórias pessoais, críticas ao serviço e opiniões sobre gastronomia, o livro apresenta uma coleção de pensamentos que também funciona como um retrato da personalidade e da trajetória de Gero Fasano.