Cazaquistão no coração
Ana Pereira
Ana Pereira
| 14-08-2026
Equipe de Estilo de Vida · Equipe de Estilo de Vida
Um chef brasileiro decidiu trocar o Brasil pelo Cazaquistão e encontrou em Almaty uma cidade que, segundo ele, guarda semelhanças surpreendentes com sua terra natal.
Desde fevereiro deste ano, ele vive na cidade, onde foi convidado para abrir um restaurante especializado em churrasco brasileiro.

A mudança para o Cazaquistão

O convite surgiu em Dubai.
O chef conta que se mudou para o Cazaquistão em fevereiro, depois de receber um convite para abrir em Almaty um restaurante tradicional brasileiro especializado em churrasco. A proposta apresentava um conceito novo para o país, baseado em uma forma específica de preparar e servir carnes.
Ele conheceu os proprietários do restaurante em Dubai, quando eles visitaram seu estabelecimento. Foi nessa ocasião que ouviu falar do Cazaquistão pela primeira vez.
Na época, ele não conhecia o país. Depois, pesquisou informações na internet e descobriu Almaty. A cidade chamou sua atenção porque lembrava sua cidade natal no Brasil, principalmente pela localização ao sul e pela natureza.
Segundo o chef, há uma diferença marcante nas temperaturas: no inverno, os termômetros podem chegar a -4 °C, enquanto o verão é quente.
Cazaquistão no coração

Primeiras impressões de Almaty

Montanhas cobertas de neve chamaram sua atenção.
O chef chegou a Almaty de manhã cedo e guarda uma lembrança especial daquele primeiro dia. Apesar do frio incomum, ele foi recebido por pessoas que considera calorosas e sinceras.
Todos perguntavam se ele estava confortável e se precisava de ajuda. No dia seguinte, fez um passeio pela cidade e conheceu o restaurante onde iria trabalhar.
A primeira impressão de Almaty foi positiva. Um dos momentos que mais o marcou aconteceu quando abriu a janela do apartamento e viu as montanhas com os picos cobertos de neve.
Para ele, Almaty tem uma natureza impressionante. Ele também já visitou Shymbulak, onde experimentou esquiar. A atividade, porém, ainda é difícil e pouco familiar para ele.

Descobrindo a gastronomia local

Os fins de semana são dedicados a novos lugares e sabores.
Nos fins de semana, o chef costuma conhecer novos lugares e experimentar comidas e pratos locais. Ele já provou a culinária cazaque e afirma ter gostado de vários restaurantes.
A culinária georgiana também chamou sua atenção. Na visão do chef, a comida do Cazaquistão apresenta algumas semelhanças com os pratos da América do Sul.
Ele observa que muitos pratos são preparados sem grande quantidade de temperos, com poucos ingredientes e bastante carne.

Os desafios do frio

Trabalhar durante o inverno foi uma experiência nova.
O frio foi uma das principais dificuldades encontradas pelo chef depois da mudança. Trabalhar em temperaturas reduzidas era algo difícil e diferente de sua experiência anterior.
Agora, durante o inverno, ele se agasalha bastante e toma cuidado ao caminhar pelas ruas, já que o gelo está presente em diversos pontos da cidade.
Fora do trabalho, ele também gosta de visitar lojas e mercados. Os produtos locais despertaram seu interesse, e ele afirma não perceber uma grande diferença entre a vida no Brasil e no Cazaquistão.

Uma nova visão sobre o país

A realidade encontrada foi diferente da imagem que tinha pela internet.
O trabalho já levou o chef a diferentes países, e cada viagem permitiu conhecer culturas, ideias e sonhos diferentes.
Antes de chegar ao Cazaquistão, ele pesquisou o país pela internet e imaginava encontrar uma sociedade bastante conservadora e tradicional. Depois da mudança, sua percepção mudou.
Em Almaty, ele encontrou pessoas de diferentes religiões e nacionalidades convivendo no mesmo espaço. Também ficou impressionado com a disposição dos moradores em ajudar, mesmo quando a pessoa não é local.
Para ele, respeitar culturas diferentes é fundamental.
O chef já aprendeu algumas palavras em russo e cazaque, incluindo expressões equivalentes a “obrigado”, “bom” e “como você está?”.

O restaurante Little Brazil

Churrasco brasileiro ganha espaço em Almaty
Em Almaty, o chef abriu o Little Brazil, um restaurante com uma proposta dedicada às carnes latino-americanas.
O churrasco é preparado em uma parrilla, uma grelha argentina especial. O sistema de serviço também é um dos diferenciais do restaurante.
Diferentes tipos de carne são levados à mesa continuamente, e o serviço segue até que o cliente levante a placa com a palavra “Stop”.
O restaurante já recebe muitos clientes brasileiros que vivem ou estão de passagem por Almaty. Segundo o chef, eles gostam da atmosfera e da culinária oferecidas pelo estabelecimento.

Adaptando o churrasco ao público local

Novos sabores também fazem parte da experiência.
No início do trabalho, uma das principais tarefas do chef foi encontrar as melhores carnes para o preparo.
Ele utiliza técnicas brasileiras, mas também incorporou ingredientes que são pouco comuns na culinária sul-americana. Entre eles está a carne de cavalo, que pode ser preparada no restaurante.
Os clientes também demonstram interesse em conhecer novas experiências, assistir a apresentações brasileiras e descobrir mais sobre a cultura gastronômica do país.
Todas as semanas, o restaurante organiza aulas de culinária nas quais os participantes aprendem a preparar pratos tradicionais brasileiros.
Cazaquistão no coração

Uma rotina dedicada à cozinha

“Trabalho em uma atmosfera de amor”.
O chef diz que trabalha em uma atmosfera de amor. Ele gosta de cozinhar e aprecia os pratos que prepara.
Sua rotina é praticamente toda dedicada ao restaurante. Ele chega pela manhã e costuma deixar o estabelecimento apenas tarde da noite.
Mesmo depois de deixar o Brasil e enfrentar o desafio de viver em um país com clima e cultura diferentes, encontrou em Almaty uma nova casa profissional e pessoal.